Mulheres discriminadas
Um relatório da OIT revela que as mulheres têm em média mais formação, são mais experientes e produtivas, mas auferem salários inferiores aos dos homens.
Salários reais em 2013 recuaram para níveis de 2007
O relatório anual mundial sobre os salários, divulgado dia 5, pela Organização Mundial do Trabalho, revela que nos 26 países europeus analisados, as mulheres deveriam auferir, em média, salários superiores em 0,9 por cento aos dos homens segundo os critérios da formação, experiência e produtividade.
Todavia, na realidade, os salários das trabalhadoras são, em média, inferiores em 18,9 por cento aos dos seus colegas masculinos.
Esta tendência é igualmente verificável na generalidade dos 38 países estudados, onde se destacam pela negativa os Estados Unidos.
Segundo o inquérito, é nos EUA que o fosso salarial entre homens e mulheres é maior. Aqui, as trabalhadoras ganham, em média, 64,20 dólares, por cada 100 dólares auferidos pelos homens, diferença que não é justificada pela formação e produtividade superior dos homens norte-americanos em relação às mulheres.
Salários caem
O estudo constata uma diminuição ao nível mundial do crescimento dos salários. Assim, se em 2012 os salários reais ainda cresceram 2,2 por cento em média mundial, em 2013 essa evolução foi de apenas dois por cento. Ou seja, muito abaixo da taxa de três por cento que se verificava antes da eclosão da crise económica (2006-2007).
Porém, estes valores variam muito de região para região do planeta, sendo no geral fortemente influenciados pelo peso da economia chinesa. Excluída a China da média mundial, verifica-se que a progressão real dos salários foi de apenas 1,1 por cento em 2013, e de 1,3 por cento em 2012.
Numa análise mais fina, o estudo observa uma estagnação dos salários em 2012 e 2013 nas economias desenvolvidas. Em certos países, a evolução foi negativa.
São os casos da Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Japão e Reino Unido, onde os salários médios reais se situaram em 2013 num nível inferior ao alcançado em 2007.
Mas ao contrário do que se poderia pensar a tendência de queda dos salários iniciou-se muito antes do rebentamento da crise. Em grande parte, a desvalorização dos rendimentos do trabalho é explicada pelo afastamento da sua taxa de crescimento em relação ao aumento da produtividade.
Deste modo, a OIT realça que entre 1999 e 2013 o aumento produtividade foi sempre superior ao aumento real dos salários.
O desfasamento destes dois indicadores traduziu-se numa diminuição da parte dos rendimentos do trabalho no Produto Interno Bruto em vários países.
A OIT refere ainda que a redução ou estagnação dos salários, designadamente na zona euro, se tem reflectido numa diminuição da procura e no aumento do risco de deflação.