Travar a ofensiva, afirmar a alternativa
O PCP inicia hoje, 19, uma campanha de mobilização e esclarecimento em defesa da contratação colectiva e contra o roubo nos salários.
O PCP vai reunir com forças políticas e sociais
O dia escolhido para o início da campanha não foi um acaso: 19 de Junho era, até ao ano passado, o feriado nacional do Corpo de Deus. As iniciativas que hoje se realizarem no âmbito desta acção do PCP terão, assim, uma exigência suplementar: a «devolução dos feriados roubados aos trabalhadores por parte do Governo PSD/CDS-PP, assinalando que se trata do roubo correspondente ao pagamento de um dia de trabalho e ao acréscimo do trabalho em dia feriado».
Nas múltiplas acções que se realizarão em todo o País no quadro desta campanha, baseada fundamentalmente no contacto directo com os trabalhadores e as populações, será afirmado que basta de exploração e de empobrecimento e que é urgente a ruptura com a política de direita e a concretização de uma política patriótica e de esquerda. Segundo uma nota emitida anteontem pelo Gabinete de Imprensa do PCP, será distribuído um folheto de denúncia das intenções do Governo (com o apoio do patronato e da UGT) de, através da proposta de lei de alteração ao Código do Trabalho, destruir a contratação colectiva e prosseguir e intensificar o roubo nos salários.
Nessa nota, o PCP acrescenta que contrariamente ao que as associações patronais e os seus representantes políticos têm dito, «as alterações à legislação laboral têm significado uma diminuição acentuada do número de trabalhadores abrangidos na contratação colectiva negociada e, ao mesmo tempo, um aumento exponencial do desemprego». O PCP contesta ainda a entrega ao grande capital de avultados recursos nacionais, quer os que resultam do aumento da exploração dos trabalhadores, quer do serviço da dívida, das PPP ou dos os swap.
A campanha servirá também para afirmar a alternativa patriótica e de esquerda, que exige desde logo a «derrota das alterações para pior do Código de Trabalho, a defesa da contratação colectiva, o devido pagamento das horas extraordinárias, do trabalho em dia feriado e dia de descanso semanal; o aumento dos salários, a começar pelo salário mínimo nacional, a defesa do horário de trabalho, o combate à precariedade, garantindo os direitos e a dignidade».
Encontros e reuniões
Numa outra nota, emitida pelo seu Gabinete de Imprensa ontem ao final da manhã, o PCP informa que tomou a iniciativa de propor a realização de encontros com forças, sectores políticos e sociais e outras entidades para avaliar a grave situação que o País atravessa e expressar a sua posição acerca da «necessidade de ruptura com o rumo de afundamento nacional e a adopção de uma política patriótica e de esquerda», base da verdadeira alternativa que se impõe. Estes encontros começarão pelas forças que compõem a CDU.
Para o PCP, a situação actual do País evidencia as consequências da política de direita de mais de 37 anos de alternância entre PS, PSD e CDS, pelo que urge trilhar o caminho conducente a uma verdadeira alternativa, patriótica e de esquerda. Para a sua construção, garante o Partido, são elementos decisivos o desenvolvimento e intensificação da luta dos trabalhadores e do povo, a convergência dos democratas e patriotas e o reforço do PCP e dos seus aliados.