Ferroviários em luta na Suécia
O movimento grevista nas linhas do Sul da Suécia entrou na sua terceira semana e ameaça estender-se a todo o país.
Iniciado no dia 2 por um grupo de 250 trabalhadores, organizados no combativo sindicato Seko (Sindicato dos Serviços e Comunicações), o movimento reivindicativo depressa cresceu, envolvendo mais de 1200 ferroviários ao serviço da Veolia
Este grupo francês é o principal operador privado na rede sueca de caminhos-de-ferro, aberta à dita «concorrência» em 2010.
Desde então não só a reputação de eficiência, fiabilidade e universalidade do serviço tem sofrido duros golpes, como a exploração dos trabalhadores atingiu níveis inéditos.
Aliás, na origem desta greve esteve o despedimento de 250 trabalhadores que a Veolia pretendia readmitir na base dos contratos «zero horas». Esta modalidade coloca o trabalhador em total dependência da empresa, obrigando-o a uma disponibilidade permanente, recebendo em troca apenas as horas trabalhadas.
Para travar a precarização do emprego, o SEKO desencadeou a greve pela satisfação de apenas duas reivindicações: a limitação do número de trabalhadores temporários a um máximo de 40 mil horas de trabalho por ano; e que um ano de trabalho temporário se traduza na admissão do trabalhador com um contrato estável.
Por simples e moderadas que pareçam, a confederação patronal ALMEGA e a multinacional francesa Veolia não se mostraram até ao momento dispostas a satisfazer estas exigências dos grevistas.
«As negociações não avançaram, por isso, devemos alargar o movimento e aumentar a mobilização», declarou o dirigente sindical, Erik Sandberg, citado pelo jornal sueco The Local (edição inglesa).
Os comboios não circulam na linha Malmo-Estocolmo, afectando ligações com várias cidades e mais de 75 mil passageiros. A empresa estima prejuízos semanais na ordem de 15 milhões de coroas (1,6 milhões de euros). O tráfego automóvel aumentou 20 por cento.
Agora, o sindicato tem como objectivo convocar uma paralisação a partir da capital, que poderá iniciar-se amanhã, sexta-feira, 20, caso o patronato não se sente à mesa das negociações.
Apesar dos incómodos, a população parece estar do lado dos grevistas. Pelo menos esse é o sentido de uma recente sondagem, em que cerca de 70 por cento dos inquiridos se pronunciaram a favor da reintrodução do monopólio estatal nos caminhos-de-ferro.