Pelos caminhos da luta
O resultado da CDU foi de facto excelente. Foi um enorme contributo para o necessário reforço da luta dos trabalhadores e do povo português, uma demonstração de que, querendo o povo, é possível (e é necessário) derrotar a política de direita e os partidos que a promovem. Foi uma demonstração de que o que parece gravado na pedra, não estará para sempre. Votar na CDU foi um gesto de valor insubstituível, de apoio à continuação da luta, transformando-a em votos e estes em maior determinação e confiança para continuar este percurso. Aqueles a quem há muito se tinha declarado o óbito, afinal teimavam em se afirmar mais fortes, pujantes, capazes de novo de desempenhar o seu papel na defesa dos trabalhadores e do País, capazes de ser aquilo que afirmam ser e de afirmar aquilo que são, de falar verdade e de agir sempre e sempre com determinação na defesa do povo. Nem o anticomunismo com matizes mais à direita ou o outro de uma certa esquerda poderá desvalorizar a obra dos milhares de homens e mulheres que deram corpo a uma campanha de abnegada determinação por todo o País. O nosso povo soube reconhecer quem esteve sempre com ele, quem não desiste de lutar. E por isso deu-lhe o seu voto, assumiu um compromisso. A todos esses afirmamos, não se arrependerão. Foi um importante momento da luta contra a União Europeia (UE) e simultaneamente um contributo internacionalista para o reforço da luta dos povos de toda a Europa contra o processo de integração comandado pelas grandes potências e pelos grandes grupos económicos. Por mais que as classes dominantes queiram dourar a pílula, não é possível esconder que a UE não tem conserto e que a sua derrota é determinante para travar a perda de direitos laborais e sociais, travar o empobrecimento, recuperar direitos perdidos, parar a destruição do nosso País e retomar os caminhos de desenvolvimento abertos pela Revolução de Abril. É necessário derrotar uma UE que tem nas conquistas democráticas, nas suas mais variadas dimensões, e na soberania nacional verdadeiros empecilhos aos seus intentos, elementos que pretende destruir a todo o custo, como fica evidente nas reiteradas e inaceitáveis ingerências do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, relativamente às decisões do Tribunal Constitucional ou em sucessivas decisões que com ela se confrontam para a menorizar e destruir. Para Durão Barroso, Merkel e quejandos, a Constituição da República Portuguesa (CRP) é um alvo a abater, um marco na afirmação prepotente do seu poder. Não é, com certeza, com os partidos da política de direita, PSD, PS e CDS que podemos contar para lhe fazer frente. Os executantes da política de direita são também eles inimigos da CRP, da soberania do povo que ela consagra e defende. São forças comprometidas com este rumo da UE, entusiastas defensores do seu aprofundamento. Perante um processo que ganha cada vez mais contornos neocoloniais, convém lembrar o que a história não deve esquecer, que as classes dominantes das potências colonizadoras contaram sempre com a «colaboração» de alguns locais para levarem a cabo a sua obra de roubo das suas riquezas e a exploração do seu povo. Não se trata de um paralelismo sem sentido entre momentos historicamente determinados tão distantes. Trata-se de uma análise alicerçada na realidade de um País como o nosso que tem nos subscritores do pacto de agressão os seus «colaboradores» e na extorsão das riquezas do País, dos salários dos trabalhadores e de todas as verbas que se deveriam destinar à valorização dos serviços públicos fundamentais, aos salários e pensões a sua obra de colaboração. Um processo que sacrifica o presente e o futuro do povo e do País para acelerar a concentração e a centralização da riqueza nas mãos do grande capital nacional e transnacional, nas mãos de grandes grupos económicos e dos seus accionistas que têm visto as suas fortunas aumentar ainda mais do que antes da crise.
Que ninguém tenha dúvidas, a derrota desta política e dos seus executantes em Portugal ou na UE não será um acto súbito e muito menos uma construção que não exija mais organização, intervenção, audácia, confiança, empenho e a tenacidade de todos os que lutaram ontem, dos que já se tinham juntado a nós anteontem e de muitos que ainda terão de se nos juntar amanhã nesta luta.