Pelo fim da monarquia
Dezenas de milhares de pessoas participaram, no sábado, 7, em manifestações em toda a Espanha, exigindo um referendo sobre o regime monárquico, após a abdicação do rei.
A abdicação do rei reavivou a exigência do referendo
As manifestações, convocadas pela Esquerda Unida e pela Junta Espanhola Republicana, tiveram o apoio de mais de uma centena de partidos e organizações sociais que defendem o regime republicano e o direito de o povo se pronunciar.
A sucessão do rei Juan Carlos pelo seu filho Felipe é apoiada pelo PP e PSOE, que dispõem de mais de 80 por cento dos lugares no Congresso de Deputados.
A oficialização de Felipe como o novo monarca estava prevista para ontem, quarta-feira, 11, apesar de a Esquerda Unida ter anunciado a impugnação do processo, avançando com um projecto de realização de um referendo.
Segundo declarações do secretário-geral do Partido Comunista de Espanha, José Luis Centella, a monarquia perdeu a legitimidade, salientando que os dois partidos maioritários (PP e PSOE) juntos ficaram abaixo dos 50 por cento dos votos nas eleições europeias, o que mudou o mapa político no país e abriu caminho ao fim do bipartidarismo que tem sido o suporte da monarquia.
Aliás, segundo Centella, foi o receio de uma situação política ainda mais complicada, que pode resultar das eleições gerais do próximo ano, que precipitou a abdicação do rei, para aproveitar o apoio maioritário de que ainda dispõe no parlamento.
«Sim, sim, queremos decidir»
Em cerca de 40 cidades, dezenas de milhares de pessoas saíram à rua sob o lema «Espanha amanhã será republicana», exigindo uma consulta popular para abolir a monarquia e reinstaurar a república, derrotada em 1936 pelo golpe de Estado fascista liderado pelo general Francisco Franco.
Em Madrid, entre a praça Cibeles e a Porta do Sol, milhares de pessoas exigiram o referendo, gritando palavras de ordem como: «Sim, sim, queremos decidir», «Felipe, quem te elegeu?» ou «Borbons às eleições».
O desfile era encabeçado pelas faixas da Junta Estatal Republicana, com a inscrição «Referendo por um processo constituinte», e da Esquerda Unida com a mesma mensagem.
O protesto terminou na praça Porta do Sol, onde se realizou uma assembleia popular, semelhante à que foi organizada, dia 2, logo após o anúncio da abdicação do rei.
Os promotores admitiram a possibilidade de convocar novos protestos, nomeadamente para ontem e para dia 19, quando o herdeiro do trono será proclamado rei Felipe VI.
Outras importantes manifestações tiveram lugar, nomeadamente em Barcelona, Valência, Pamplona, Oviedo, Santiago de Compostela e Bilbau.
Maioria apoia referendo
Mais de 62 por cento da população de Espanha defendem a realização de referendo sobre a continuação da monarquia ou a instauração da república, contra 34 por cento que se manifestam contra a consulta.
Não obstante, de acordo com uma sondagem da empresa Metroscopia, publicada no sábado, 7, no site do El País, 49 por cento dos inquiridos são favoráveis à monarquia com Felipe VI como rei, contra 36 por cento que se declararam a favor da república.
Este inquérito foi realizado através de entrevistas telefónicas a mil pessoas durante os dias 4 e 5.