Os renovas

Manuel Gouveia

Numa semana como esta, e com um título destes, poderíamos estar perante um fácil trocadilho entre uma determinada associação e uma conhecida marca de papel higiénico. E até apetecia, pois de facto custa gastar espaço e tempo a discutir de forma séria um não acontecimento como o apoio daqueles três gatos ao seu PS.

Mas há coisas que importa deixar registadas. Até para memória futura. Aqueles tristes seres que vimos esta semana a renovar o seu apoio ao PS, lutavam há pouco tempo para serem a direcção do PCP. Eram então projectados pela comunicação social, a mesma que hoje utiliza a única significância política que lhes resta – serem «ex-pc» – e a cada acto eleitoral os ressuscita, e lhes atribui um minuto de fama, ora a assinar um Manifesto de apelo ao voto no PS, ora uma declaração de apoio ao PS, ora a integrar a Comissão de Honra do candidato do PS.

O caminho que eles hoje trilham é o caminho que queriam que nós trilhássemos – um penacho na política de direita. É fácil hoje percebermos o quão ridículo e triste é esse papel. Mas aquilo que hoje é uma comédia triste seria um drama épico se fosse protagonizado pelo Partido. Aquilo que hoje não tem importância nenhuma – quem são, o que fazem, o que pensam aqueles apoiantes do PS – teria então toda a importância do mundo, na medida em que teria deixado de existir o Partido independente que a classe operária necessariamente cria para dirigir a luta pela tomada do poder.

Esse Partido independente, o Partido Comunista, sofre inevitavelmente duras e múltiplas provas, pois é a organização que assume a luta contra as forças dominantes da sociedade. Sofre perseguições, derrotas e tentações. Enfrenta o perigo de apodrecimento nos tempos fáceis e de falta de coragem nos tempos difíceis. É actor principal numa luta constante – a de classe – e é inevitável uma certa dose de cansaço nos homens e mulheres que são o Partido.

É provavelmente humano que regularmente alguns procurem atalhos, os caminhos mais fáceis e mais rápidos. Mas, em tons de comédia ou de drama, na luta de classes todos os atalhos nos colocam ao colo da burguesia.




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