Condições de trabalho agravadas na UE

Maioria descontente

Mais de metade dos trabalhadores (57%) dos países da União Europeia considera que as suas condições de trabalho pioraram. Portugal tem das maiores percentagens de descontentes.

Crise económica piorou condições de trabalho na UE

Perguntados sobre a evolução das condições de trabalho nos últimos cinco anos, apenas 32 por cento dos portugueses consideraram a situação «boa», contra uma maioria de 78 por cento que apontaram uma deterioração.

Trata-se da quinta maior percentagem de descontentes nos países da União Europeia, de acordo com o Eurobarómetro, divulgado dia 24, em Bruxelas.

O inquérito mostra que apesar da degradação ocorrida, 53 por cento dos inquiridos na UE classificam de «boas» as respectivas condições de trabalho.

Todavia, as opiniões variam fortemente consoante os países. Grécia (88%), Espanha (86%), Itália (85%) e Eslovénia (84%) são os países onde a avaliação dos últimos cinco anos é mais negativa.

Por outro lado, as mais baixas percentagens dos que consideram «boas» as condições de trabalho foram registadas na Grécia (16%), Croácia (18%), Espanha (20%), Itália (25%) e Bulgária (31%).

No extremo oposto, os dinamarqueses (87%), luxemburgueses (86%), finlandeses (84%), holandeses (82%) e irlandeses (80%) são aqueles que têm melhor opinião sobre condições de trabalho nos seus países.

Isto não obsta a que a maioria dos inquiridos reconheça uma deterioração da situação nos últimos cinco anos, período que coincide com a crise económica.

Esta opinião é também maioritária na Estónia e Malta, apesar de os trabalhadores destes países liderarem a lista de opiniões favoráveis à evolução do último quinquénio (42% e 40%, respectivamente).

No conjunto dos inquiridos, 63 por cento foram informados sobre a situação financeira das respectivas empresas, nomeadamente sobre eventuais reestruturações a realizar no futuro.

Também 76 por cento responderam que as respectivas empresas prestam informação sobre saúde e segurança no trabalho, embora apenas 54 por cento relatem medidas concretas para prevenir problemas de saúde ou acidentes laborais.

O estudo foi realizado entre os dias 3 e 5 de Abril, abrangendo uma amostra de 26 571 cidadãos dos 28 estados-membros, dos quais 1001 portugueses.




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