Crise aumentou suicídios na Grécia
Desde o início das políticas de austeridade em 2009 que a Grécia regista um assinalável aumento do número de suicídios. Os dois factos sempre foram relacionados empiricamente, com base em situações desesperadas de muitas famílias e pungentes testemunhos escritos deixados por suicidas.
Na semana passada, porém, um estudo científico realizado na universidade britânica de Portsmouth veio demonstrar pela primeira vez uma relação directa entre os cortes orçamentais na Grécia e o aumento dos suicídios entre a população masculina.
A investigação, realizada pelos professores Nikolaos Antonakakis e Alan Collins, estabeleceu que no caso da Grécia se verificou um aumento de 0,43 por cento do número de suicídios masculinos por cada um por cento de diminuição do orçamento do Estado.
Ambos os cientistas, que divulgaram, dia 23, os resultados do seu trabalho, concluíram que só entre 2009 e 2010, as políticas anti-sociais foram responsáveis pelo suicídio de 551 indivíduos do sexo masculino.
Todavia, os mesmos problemas económicos não provocaram um aumento evidente de suicídios entre a população feminina, referem os autores do estudo.
As principais vítimas foram homens entre os 45 e os 89 anos, que não suportaram ser reduzidos à miséria devido aos cortes nos salários e pensões. Para alguns, indica ainda o estudo, o recurso ao álcool evitou a tomada da decisão fatal.
O aumento da recessão e do desemprego são outras causas apuradas. Os investigadores constataram que por cada ponto percentual de subida da taxa de desemprego, o número de suicídios entre indivíduos do sexo masculino com idades entre os 25 e os 44 anos aumentou 3,5 por cento.
Os números do estudo são superiores aos oficiais, uma vez que as autoridades consideram como «acidente» a queda de um quinto andar e como «envenenamento» a ingestão de doses letais de medicamentos.