Três anos de retrocesso
O PCP promoveu, anteontem ao final da tarde, na Assembleia da República, um colóquio sobre a renegociação da dívida, que contou com a participação de Jerónimo de Sousa.
O PCP rejeita a componente ilegítima da dívida
Quase três anos depois de o PCP ter proposto – a 5 de Abril de 2011 – a renegociação da dívida pública nos seus prazos, juros e montantes, a vida dá-lhe razão. Pelos piores motivos. Esta foi uma das conclusões tiradas por Jerónimo de Sousa não só das intervenções que o precederam no colóquio realizado na terça-feira na biblioteca da Assembleia da República, mas sobretudo da evolução da situação económica e social do País desde então.
De facto, lembrou, a proposta do PCP foi recebida com «um coro de protestos» pelo PS, PSD e CDS, que a apelidaram de «irresponsável» e «irrealista». O que era preciso, diziam, era assinar o chamado «memorando de entendimento» com a troika, que o PCP desde logo considerou um pacto de agressão contra o povo e o País. Com esta opção, tudo piorou, afirmou Jerónimo de Sousa, lembrando que se a dívida pública atingia, em 2011, os 94 por cento do PIB, ela aumentou para quase 130 por cento, mais 50 mil milhões de euros do que há três anos.
No que respeita apenas aos juros da dívida, Jerónimo de Sousa lembrou que eles se situam actualmente em mais de sete mil milhões de euros (quase mais 50 por cento do que quando se iniciou a intervenção da troika), o que representa mais do dobro do investimento público e sensivelmente o mesmo do que o orçamento do Ministério da Saúde. Ou seja, precisou, «o Estado gasta o mesmo com juros da dívida como com a Saúde dos portugueses».
Se o País perdeu com esta espiral de endividamento, houve quem tenha ganho, sublinhou o dirigente comunista: os que, como a França e a Alemanha, impuseram a liquidação do aparelho produtivo, a quem se passou a comprar o que antes se produzia; os banqueiros, a quem o Estado limpou prejuízos transformando dívida privada em dívida pública; os grupos económicos com quem foram assumidos negócios ruinosos; os bancos nacionais e estrangeiros, que especulam com a dívida pública portuguesa.
O dirigente comunista salientou ainda que a renegociação da dívida pública, por iniciativa do Estado português, quando o PCP a propôs «teria permitido ao País travar esta espiral de crescimento do nosso endividamento público, teria evitado a assinatura do pacto de agressão e tudo aquilo que ele representou». Jerónimo de Sousa inseriu este elemento crucial na proposta mais geral de ruptura com a política de direita e de construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda.
Para a semana, voltaremos a esta iniciativa.