Justas homenagens
O PCP homenageou, no fim-de-semana, respectivamente em Matosinhos e em Beja, dois destacados militantes, falecidos há um ano: Óscar Lopes e João Honrado.
O PCP orgulha-se de ter militantes desta dimensão
O auditório Constantino Nery, em Matosinhos, recebeu no sábado a homenagem a Óscar Lopes, promovida pela Direcção da Organização Regional do Porto do PCP e pelo seu Sector Intelectual. Entre os presentes (mais de duas centenas, lotando por completo o espaço), estavam o Secretário-geral do PCP e a viúva de Óscar Lopes e sua companheira de vida, Maria Helena.
Pelo palco, para além das palavras evocativas de Óscar Lopes – da sua obra, da sua vida, da sua militância comunista –, e das suas próprias, projectadas no ecrã gigante, passaram canções do reportório revolucionário nacional e internacional, recriadas pelo saxofonista Carlos Canhoto, pelo violinista Manuel Pires da Rocha e pelos pianistas Fausto Neves e Joana Resende. Esta homenagem foi saudada por muitas instituições, o que não deixa de revelar o reconhecimento que desperta a figura de Óscar Lopes.
Antes de Jerónimo de Sousa, coube a Fátima Oliveira e a José António Gomes proferirem algumas palavras sobre o homenageado: a primeira, professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foi orientada por Óscar Lopes na tese que elaborou em Semântica; e o segundo, escritor e professor, integra a Direcção do Sector Intelectual do Porto do PCP, a organização em que militava Óscar Lopes. Ambos, nas palavras do Secretário-geral do PCP, traçaram com profundidade o «perfil do intelectual de excepção que foi Óscar Lopes nas múltiplas vertentes em que se desdobrou: a sua insaciável curiosidade científica, a sua excepcional actividade de pedagogo, publicista, a sua intensa actividade cívica e política».
Para o PCP, afirmou ainda Jerónimo de Sousa, «é uma grande honra e motivo de legítimo orgulho que este intelectual de excepcional valor que militou 70 anos nas sua fileiras seja um dos seus, um elo particularmente valioso e querido da cadeia de solidariedade ideológica, política e humana que é este grande colectivo partidário». Foi precisamente graças à firmeza de «militantes modestos e dedicados como Óscar Lopes» que o fascismo não conseguiu destruir o PCP, acrescentou o dirigente comunista, salientando que a homenagem a Óscar Lopes se integra perfeitamente nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril, que este ano se assinala.
Alentejano e comunista
No primeiro aniversário da sua morte, João Honrado foi homenageado em Beja pelo PCP, numa sessão em que participaram mais de duas centenas de pessoas. Uma exposição, poesia e intervenções sobre o seu percurso evocaram a figura do destacado comunista alentejano.
O anfiteatro da Biblioteca Municipal José Saramago foi pequeno para acolher, no sábado, os camaradas, amigos e familiares que se juntaram para render homenagem a João Honrado. No átrio, uma exposição fotográfica, intitulada «Alentejano e Comunista», recordava momentos dos 84 anos do combatente desaparecido a 22 de Março de 2013. A sessão foi promovida pela DORBE, no quadro das comemorações dos 40 anos da Revolução de Abril.
Houve poesia (dita por António Revés, Luís Maçarico e Ana de Freitas) e intervenções de Belchior Pereira, evocando combates comuns nos anos 40 e 50 do século XX, e de Rosa Calado, contando episódios da vida clandestina do tio, dos anos que ele passou nas cadeias fascistas, do sacrifício dos presos políticos e do sofrimento das suas famílias.
Interveio ainda Luísa Araújo, do Secretariado do Comité Central do PCP, sublinhando que «a história de grande parte da vida e da luta de João Honrado assentou na consciência da força imensa dos trabalhadores e das massas populares, organizadas e unidas em movimento, do papel central da luta de massas e do papel de vanguarda do Partido Comunista».
A dirigente referiu marcos do percurso de João Honrado – a adesão ao MUD Juvenil; a participação em 1949 na campanha eleitoral de Norton de Matos; a opção em 1955 pela clandestinidade como funcionário do Partido; a direcção das lutas estudantis em Coimbra (1958-62) e das greves operárias e dos pescadores na zona do Porto; a coragem com que resistiu às torturas nas prisões fascistas; e, já depois do 25 de Abril, os combates pela Reforma Agrária, pelo fortalecimento do seu Partido de sempre, pela liberdade e pela democracia.
Hoje, disse Luísa Araújo, homenagear João Honrado é também «falar da história do Partido, a qual ele ajudou a construir e a defender», é «afirmar o desenvolvimento da luta de massas e o reforço do PCP», é «um momento de afirmação das tarefas essenciais para a ruptura com a política de direita, para a política e a alternativa patriótica e de esquerda e a construção de uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, tendo no horizonte o socialismo e o comunismo».