Ucrânia

Guerra suspensa

Encontros diplomáticos de alto nível sucedem-se à troca de acusações entre a Rússia e as potências imperialistas e os seus representantes na Ucrânia, isto depois de a Crimeia se ter colocado à margem do novo poder em Kiev.

«Os aliados do Ocidente são abertamente neonazis»

Hoje, em Paris, os responsáveis dos Negócios Estrangeiros de Washington e Moscovo não se deverão afastar muito das posições assumidas nos últimos dias relativamente à crise na Ucrânia e aos seus desenvolvimentos na Crimeia. O secretário de Estado norte-americano deve reiterar a acusação de agressão e violação da soberania da Ucrânia e tentativa de anexação da península sul do território por parte da Rússia, a qual tem sido repetida em uníssono pela UE, NATO e pelos países membros dos G8.

A Rússia, por seu lado, deverá insistir nos argumentos, sintetizados, segunda-feira, em Madrid, por Sergei Lavrov, isto depois de, oficialmente, Moscovo acusar John Kerry de recorrer a «clichés da guerra fria» e notar que «os aliados do Ocidente são abertamente neonazis que atacaram igrejas ortodoxas e sinagogas», mostrando «russofobia e antisemitismo evidentes».

Na capital espanhola, Lavrov deixou claro que para o Kremlin a «comunidade internacional» reagiu mal ao «assalto armado ao poder» em Kiev, nomeadamente não condenando métodos inconstitucionais que podem ter um efeito de contágio. O MNE da Rússia rejeitou, ainda, que Moscovo dê ordens às «forças de autodefesa criadas pelos habitantes da Crimeia», e esclareceu que foi «a população quem não aceitou a legitimidade dos que assaltaram o poder de forma não constitucional», remetendo para o governo autónomo negociações sobre um eventual envio de observadores internacionais, disse, de acordo com a Lusa.

O diferendo entre Rússia e potências imperialistas agudizou-se depois de as autoridades da Crimeia terem deslegitimado Kiev, e de o parlamento russo ter autorizado o uso das forças armadas para proteger os seus cidadãos na península.

A Ucrânia acusa a Rússia de estar a mobilizar poderosos meios militares para a região e de controlar, de facto, o território, incluindo com o cerco de unidades militares ucranianas. Moscovo nega e garante que o cerco é realizado por forças de autodefesa (a EFE constatou que na capital da Crimeia, Simferópol, aumenta o número de voluntários para esta força).

Em Kiev, ultranacionalistas e nazifascistas – os partidos «Golpe», «Liberdade» e Sector de Direita» - apelam à mobilização para a guerra e a defesa das autoridades golpistas, mas a contestação ao novo poder emerge. Desde logo quando o contra-almirante Denis Berezovski jurou lealdade ao governo da Crimeia horas depois de ter sido nomeado chefe da marinha pelo presidente interino da Ucrânia. Mas também porque em Kharkiv, Odessa ou Donetsk, milhares saíram às ruas para rejeitar o poder anticonstitucional, transportando bandeiras russas semelhantes às hasteadas em Simferópol e Sebastopol.




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