Não à liberalização
Milhares de ferroviários de vários países manifestaram-se, dia 25, em Estrasburgo, em protesto contra as políticas de privatização e liberalização do sector.
A liberalização apenas visa potenciar lucros
Na véspera da aprovação do quarto pacote de liberalização dos caminhos-de-ferro pelo Parlamento Europeu, milhares de trabalhadores repudiaram as orientações europeias de prosseguimento da privatização do sector, alertando para as consequências em termos de segurança, custos e condições de trabalho.
Aos manifestantes juntaram-se vários representantes do grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), nomeadamente, os deputados do PCP, Inês Zuber e João Ferreira.
Na acção, promovida pela Federação Europeia dos Trabalhadores dos Transportes, participaram sindicatos de vários países que se opõem às medidas preconizadas pela Comissão Europeia, visando a liberalização total do transporte ferroviário a partir de 2019.
Com esse objectivo, o quarto pacote legislativo pretende impor a separação total da gestão das infra-estruturas ferroviárias da actividade da exploração, de modo a abrir os mercados nacionais aos operadores privados.
Os deputados do PCP votaram contra o projecto, ao contrário dos eleitos do PS, PSD e CDS que o apoiaram, tornando-se assim «responsáveis por uma decisão que ameaça destruir os serviços ferroviários nacionais públicos e a prestação de um serviço de transporte de qualidade, com segurança e a preços acessíveis às populações responsáveis».
Em comunicado, os deputados do PCP salientam ainda que o pacote pretende «eliminar os últimos obstáculos ao estabelecimento do espaço ferroviário único europeu», que será dominado pelas grandes empresas ferroviárias privadas, na lógica pura do lucro, que põe em causa a garantia de um serviço público essencial.
A desregulamentação do sector ferroviário e a sua entrega a privados, assinala ainda o PCP, «conduzirá à destruição de postos de trabalho, à degradação das condições e direitos laborais, à redução de salários, ao aumento da carga laboral, à deterioração das condições de segurança e ao aumento dos preços dos bilhetes».
Os deputados do PCP consideram que a natureza e características deste sector estratégico exigem a manutenção da sua propriedade e gestão na esfera pública: «Com a liberalização do sector, perdem as populações, que ficam com menos serviços, de pior qualidade e mais caros; perdem os trabalhadores, com a intensificação da exploração da força de trabalho à escala europeia; perde a segurança, perigosamente posta em causa, subjugada que é à livre concorrência; e perde o País, que vê um sector estratégico para a sua economia ficar à mercê dos interesses das multinacionais».