Empobrecer a trabalhar
Aumentou significativamente o número de pobres entre a população empregada da UE, admite-se no relatório sobre a evolução do emprego e da situação social, divulgado dia 21.
«Um terço dos adultos em risco de pobreza na UE tinham emprego»
O documento apresentado pelo comissário Lásló Andor adverte que «uma redução gradual dos níveis de desemprego pode não ser suficiente para inverter esta situação caso se mantenha a polarização salarial resultante do aumento do trabalho a tempo parcial». E é precisamente a «qualidade do emprego», como lhe chama a Comissão Europeia, que está na base da associação directa entre aumento da precariedade e o crescimento da pobreza, já que, afirma-se, «só em metade dos casos um emprego pode ajudar as pessoas a saírem da pobreza, na medida em que muito depende do tipo de trabalho que o indivíduo encontra [implicando o vínculo e a remuneração], mas também da composição do seu agregado familiar e da situação profissional do parceiro».
Com base em dados consolidados de 2012, a taxa de risco de pobreza entre a população activa (18-64) subiu em 21 dos 28 estados-membros, incluindo Portugal (onde se estima que a situação se degrade), e em cerca de dois por cento nos últimos quatro anos. Um terço dos adultos em risco de pobreza na UE tinha emprego, adianta-se também no texto citado pela Lusa, onde se nota, igualmente, que «contrariamente ao que se possa pensar, as pessoas que recebem prestações de desemprego têm maiores probabilidades de encontrar trabalho do que as que não beneficiam destas prestações».
Desemprego castiga
O mesmo relatório refere igualmente que o risco de pobreza e exclusão social persiste associado ao aumento do desemprego e do desemprego de longa duração. «Os países do Sul foram atingidos com particular violência», diz-se.
Dados oficiais divulgados no início de Janeiro indicam que na chamada zona euro o desemprego continua a bater recordes, elevando-se, em Novembro do ano passado a 12,1 por cento ou 19 milhões 241 mil indivíduos registados. Grécia (27,4 por cento) e Espanha (26,7 por cento) lideram nos países da moeda única, mas também no quadro dos 28 estados-membros, onde o flagelo atingia, no mesmo período, 26,5 milhões de pessoas. Em Itália, a cifra bateu todos os dados registados nos últimos 37 anos (12,7 por cento), divulgou a oficina de estatísticas transalpina.