partidos participantes no Encontro
Unidade e confiança revolucionária
Secretário-geral do partido anfitrião do 15.º EIPCO, coube a Jerónimo de Sousa abrir os trabalhos, referindo desde logo que a «presença de um tão grande número de delegações evidencia a importância do processo dos Encontros no movimento comunista e revolucionário internacional». Partidos comunistas e operários (PCO) que actuam numa diversidade de contextos mas que se mantêm «unidos pelos mesmos ideais libertadores, pela mesma convicção de que a alternativa à barbárie capitalista é o socialismo e que a luta quotidiana em defesa dos interesses dos trabalhadores e dos povos e pela transformação progressista e revolucionária da sociedade exige o reforço dos partidos comunistas e da sua cooperação internacionalista tendo como núcleo a solidariedade de classe, o internacionalismo proletário». Nesse sentido, acrescentou, aqui compareceram «para trocar informações e experiências, para actualizar a nossa visão da complexa realidade internacional e das principais tendências do desenvolvimento mundial, para aprofundar o conhecimento e compreensão recíprocos e estreitar relações de amizade e solidariedade, para decidir linhas e iniciativas de cooperação e acção comum ou convergente» no quadro de um processo que, «não sendo nem devendo ser uma estrutura nem obedecendo a qualquer ilusória tentação de homogeneização, é, sem dúvida, o mais importante instrumento facilitador dessa cooperação internacionalista».
Juntar forças e reforçar o Partido
Cooperação, insistiu Jerónimo de Sousa, que «mais necessária se torna» entre partidos comunistas e operários», bem como destes com «outras forças revolucionárias e anti-imperialistas para a construção de uma ampla e combativa frente anti-imperialista» quando «perante o desaparecimento do socialismo como sistema mundial, o sistema capitalista estende os seus tentáculos a todo o mundo e acentua a sua natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva; quando o grande capital e as grandes potências imperialistas, apesar de rivalidades e contradições que a crise está a agudizar, articulam estreitamente a sua ofensiva de classe contra os trabalhadores e povos de todo o mundo».
O Secretário-geral do PCP expressou também a «profunda convicção do PCP de que o que nos une é bem mais forte do que aquilo que, em tal questão ou em tal momento, possa separar-nos», e que «não há dificuldade que não possamos ultrapassar através do trabalho colectivo, da discussão franca e fraternal, e sobretudo, da cooperação para a acção comum voltada para as massas».
Ligação às massas, enraizamento do Partido nas empresas e locais de trabalho e aumento do número de militantes e reforço da militância que são para o PCP orientações prioritárias porque «quanto mais enraizado na realidade nacional estiver o nosso Partido e mais empenhado nas tarefas de classe e nacionais, inseparáveis no processo da revolução portuguesa, maior será a sua contribuição internacionalista».
«Um Partido que, sendo produto do desenvolvimento do movimento operário português, se orgulha de ter nascido sob o impacto internacional desse extraordinário acontecimento histórico que foi a Revolução Socialista de Outubro, quando o proletariado russo sob a direcção do Partido bolchevique de Lénine conquistou o poder e se lançou com heroísmo e criatividade na construção da nova sociedade socialista», frisou ainda Jerónimo de Sousa na sua intervenção, proferida um dia depois de se assinalar o 96.º aniversário «desses “dez dias que abalaram o mundo”, cujas extraordinárias realizações e conquistas e apesar das suas dramáticas derrotas, confirmam a necessidade e a superioridade do novo sistema económico e social, e que é justa e invencível a causa por que lutamos».
«Um Partido que, com legítimo orgulho, toma nas suas mãos o rico legado revolucionário do camarada Álvaro Cunhal cujo centenário este ano comemoramos», lembrou, aproveitando a ocasião para convidar todos os participantes no Encontro a estarem presentes no comício que se realizou no domingo, 10, no Campo Pequeno, em Lisboa.
Superação revolucionária do capitalismo
Referindo-se à situação em Portugal e à «mais violenta ofensiva contra as condições de vida e os direitos dos trabalhadores e do povo desde o tempo do fascismo», Jerónimo de Sousa considerou que esta «se inscreve na resposta do sistema capitalista à crise», a pretexto da qual se procura aumentar a exploração dos trabalhadores e dos povos e se acentua «a tendência rentista predadora com que o capital financeiro procura compensar a baixa tendencial da taxa de lucro». Com o capitalismo imerso em contradições que «exigem a sua superação revolucionária», a actual crise «de sobreprodução e sobreacumulação» evidencia «uma centralização e concentração de capital e de poder sem precedentes». As «grandes potências imperialistas, a começar pelos EUA», não têm, no entanto, as mãos livres, emergindo «grandes potencialidades de desenvolvimentos progressistas e revolucionários» afirmou Jerónimo de Sousa, antes de concluir que «o que os trabalhadores e os povos esperam, e têm o direito de obter dos comunistas, é uma mensagem de unidade, de luta organizada, de confiança revolucionária».