O Big Brother - de «1984» à NSA

Carlos Gonçalves

Em 1949 o britânico George Orwell (pseudónimo de Eric Blair), que de combatente antifascista na guerra de Espanha passou a «socialista democrático» e chegou a bufo anti-comunista, escreveu «1984», em que o Big Brother (grande irmão) controlava tudo e todos com a «teletela» (televisão bidireccional), com o objectivo de se manter no poder. Orwell escreveu este livro num quadro psicológico e ideológico paradoxal, mas, passados sessenta anos, a sua anti-utopia é hoje um paradigma do controlo imperialista de tudo o que comunicam os habitantes do planeta. O instrumento desse controlo é a National Security Agency (NSA) dos Estados Unidos (USA), com o apoio dos serviços do Reino Unido e outros.

A NSA, a maior das muitas agências de espionagem dos USA, tem quase cem mil «funcionários» e subcontratados e funciona à escala mundial com monitorização em tempo real de milhares de milhões de comunicações simples ou encriptadas – rádio, televisão, telefone, redes fixas e móveis, satélites, internet, etc.. O seu sistema de satélites Echelon de 3.ª geração segue em directo alvos móveis e conversas pessoais. A sua operacionalidade, recém estimada, pode «tratar», só na Alemanha, 500 milhões de comunicações/mês. A NSA trabalha em rede com a Google, Microsoft, Yahoo e Facebook, que asseguram o controlo da Internet em quase todo o mundo e que lucram muitos milhões com esta fusão oligopólios-NSA.

Os escândalos e crimes da espionagem dos USA, documentados e comprovados recentemente por Snowden e Assange, confirmam que todo o planeta, incluindo os seus cidadãos, os «aliados» e a própria ONU, estão na mira do Big Brother e que este visa garantir o domínio imperialista e não «prevenir riscos terroristas». A violação sistemática e brutal da legalidade internacional, como nas operações de contra informação, provocação e terror na Síria, no Egipto, etc., ou a recente captura do avião de Evo Morales, com a miserável cumplicidade do Governo PSD/CDS, clarificam o projecto de opressão e recolonização da «Nova Ordem» imperialista e põem a nu o Big Brtother.

È impreterível o direito e dever de os combater e derrotar.




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