Confiança na luta pela alternativa

Jaime Toga (Membro da Comissão Política)

Num momento de grande complexidade, com o País a viver uma profunda recessão económica, com um Governo politicamente derrotado pela luta e a mascarar diariamente os dados estatísticos para iludir as suas reais dificuldades, o Partido Comunista Português é o único que mantém o estímulo à luta, a exigência da demissão do Governo e da rejeição do pacto de agressão – condições indispensáveis à construção da alternativa patriótica e de esquerda pela qual lutamos.

O reforço da CDU representará o fortalecimento da luta contra esta política

LUSA

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O Governo PSD/CDS, prosseguindo o seu percurso de submissão e subserviência, em conluio com a troika estrangeira, adiou para depois das eleições autárquicas a apresentação de novas e gravosas medidas de austeridade, procurando esconder dos reformados e pensionistas um novo roubo nas reformas, que se juntará aos novos cortes nas Funções Sociais do Estado e à nova escalada de privatizações, despedimentos e encerramentos. Um verdadeiro programa de terrorismo social, incidindo novamente sobre quem menos tem e menos pode, empobrecendo o País e o tornado-o menos soberano, mas salvaguardando os interesses, os lucros e as benesses dos grande grupos económicos e financeiros.

Neste quadro, a realização das eleições autárquicas não pode deixar de integrar esta realidade, em que o reforço da CDU representará o fortalecimento da luta contra este Governo e esta política, pela rejeição do pacto de agressão e a renegociação da dívida, a luta consequente por uma vida melhor num Portugal com futuro.

Não é possível separar os problemas reais com que vivem as populações, o cancelamento de investimentos públicos essenciais ao desenvolvimento local ou a defesa dos serviços públicos e do emprego público, da situação do País e da política de direita que há mais de 37 anos procura ajustar contas com a Revolução de Abril.

Por isso, a batalha autárquica, tendo um significado local de grande importância para a resolução dos problemas das populações, é um importante momento de afirmação e alargamento da CDU enquanto grande espaço de convergência e unidade de todos os que não aceitam o rumo de desastre nacional e que aspiram a uma outra política, patriótica e de esquerda. 

Projecto e obra ímpares 

Com a confiança emanada do seu projecto político e cimentada pelo percurso e obra ímpares no poder local – traduzidos no lema «Trabalho, Honestidade, Competência» –, a construção de uma campanha de massas é determinante para o cumprimento dos nossos objectivos. A realização de uma campanha que privilegie o contacto, esclarecimento e mobilização das populações é igualmente importante para – nestas eleições em que a mentira, o populismo e a demagogia reinam – denunciar as responsabilidades dos candidatos e dos partidos da política de direita (PSD, PS e CDS) na situação em que o País se encontra, contrariando ilusões e desconstruindo falsas expectativas quanto à «bondade» de tal ou tal candidato do PSD/CDS que é critico do Governo, ou do candidato do PS que defende o fim da austeridade, mas se distancia da exigência de rejeição do pacto de agressão.

Empenhados na construção e divulgação da Festa do Avante!, na concretização de uma grande campanha eleitoral de massas, na multiplicação e intensificação da luta e no reforço do Partido, é com confiança que enfrentamos estas tarefas. Convictos de que está nas mãos dos trabalhadores e do povo, com a sua luta, a sua posição e o seu voto, romper com o ciclo de empobrecimento e declínio, recuperar para o País o que é do País e devolver aos trabalhadores e ao povo os seus direitos, salários e rendimentos. Com confiança na ruptura e na mudança que abra caminho à concretização de uma política patriótica e de esquerda, com um governo capaz de a executar.

 



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