Air France anuncia nova vaga de despedimentos

O saldo da privatização

A administração da Air France anunciou, dia 31 de Julho, uma nova vaga de despedimentos que atingirá entre 2500 e 2600 trabalhadores já a partir de Setembro.

Privados destroem a Air France pelo lucro

Image 13785

Image 13785

Desde a fusão com a holandesa KLM, em 2003, e após a privatização total da companhia em 2004, a Air France tem conduzido uma política de rapina dos direitos laborais e sociais dos trabalhadores.

Externalização de serviços, redução de efectivos, congelamento de salários e de admissões e cortes nas regalias sociais têm sido as principais medidas aplicadas pela empresa para reduzir custos e recuperar a rentabilidade.

A hemorragia de pessoal começou em 2004 com a não substituição de trabalhadores.

Só por esta via foram destruídos até ao presente 6430 postos de trabalho a que se somaram mais 1800 rescisões «voluntárias» efectuadas em 2010.

Depois, em 2012, foi apresentado o plano «Transform 2015», cujo objectivo era realizar poupanças de dois mil milhões de euros, de modo a reduzir a dívida da companhia para 4,5 mil milhões de euros, até ao final de 2014, e aumentar a sua rentabilidade em 20 por cento.

Num ano e meio, o «Transform» foi responsável pela supressão de 5600 postos de trabalho. Mas a administração não está satisfeita e acaba de anunciar pelo menos mais 2500 despedimento até ao final do ano.

Feitas as contas, desde que os privados se apoderaram da empresa mais de 16 mil postos de trabalho foram ou estão em vias de serem extintos em nome da rentabilidade. O pessoal de terra foi o mais afectado, mas as reduções atingiram também o pessoal de cabine e os pilotos.

Estes cortes a eito têm-se reflectido num aumento da pressão sobre os trabalhadores e na diminuição da capacidade de resposta da companhia, em especial no que respeita às ligações de curto e médio curso e à actividade de transporte de mercadorias.

Para mitigar estes efeitos, a Air France, agindo como uma empresa de vão de escada, não hesita em recorrer a esquemas ilegais de contratação de mão-de-obra.

No início de Julho, a companhia foi condenada a pagar uma multa de 150 mil euros pelo Tribunal Correccional de Paris por trabalho dissimulado, através de uma das empresas subcontratadas (Prétory), que fornecia agentes de segurança utilizados em alguns voos.

A justiça apurou que apenas uma parte das horas prestadas por estes trabalhadores eram declaradas. As restantes escapavam a qualquer contribuição social ou tributação fiscal.

Da sua parte, os sindicatos denunciam as políticas desastrosas da administração, acusando-a de «não ter qualquer projecto industrial, além da transferência de actividades e da subcontratação».

Mas uma coisa é certa: em Setembro os trabalhadores irão responder com luta à ameaça de novos despedimentos.

«Faremos tudo para o conseguir, mesmo se a administração conta que, ao fazer o seu anúncio em pleno Verão, os trabalhadores terão mais tempo para engolir a pílula», declarou ao Humanité, David Ricatte, secretário nacional da CGT na Air France. 



Mais artigos de: Europa

Emprego, primeiro

O edil do município de Alcalá de Guadaira (Sevilha) ofereceu, dia 1, os terrenos e instalações da fábrica de loiças sanitárias Roca a empresas que tencionem retomar a produção.

Condenado, Berlusconi esbraceja

Ao fim de 25 anos de investigações, milhares de audiências, condenações, recursos e prescrições sobre casos de fraude fiscal e corrupção, entre outros, Sílvio Berlusconi foi finalmente condenado, dia 1, no caso Mediaset, o seu império...

Merkel sem maioria?

Uma sondagem da televisão alemã ZDF, divulgada dia 2, indica que os três partidos da actual coligação governamental na Alemanha, juntos, não alcançam uma maioria caso as legislativas, marcadas para 22 de Setembro, se realizassem agora. O partido da chanceler Angela...

Descalço vai... Formoso e não seguro

«O País já não se basta a si próprio. Não dependemos de nós para sair desta crise... (…) O país não depende de si próprio. E quem disser o contrário está a iludir os portugueses. Inseridos na Zona Euro, também dependemos de...