O Partido que não é igual
O PCP desempenha hoje na sociedade portuguesa um papel necessário, indispensável e insubstituível. Pela acção permanente e quotidiana em defesa dos interesses do povo e do País, pelo combate firme e persistente à política de direita, pelo empenho na unidade da classe operária, na formação de uma vasta frente social de luta, no fortalecimento das organizações e movimentos unitários de massas, o PCP é uma força indispensável na resistência e na luta contra o pacto de agressão. Pelo seu projecto e propostas, o PCP é também uma força indispensável à concretização da alternativa.
Trabalho, honestidade, competência é uma forma de estar na política
Vivemos tempos em que dia a dia se somam razões e exemplos que reforçam ideias que a classe dominante quer fazer valer: os partidos são todos iguais; no fim entendem-se todos; andam lá para se encher; enganam o «Zé Povinho». É uma verdadeira campanha ideológica que pretende anular o espírito crítico e impedir que as massas distingam os posicionamentos, propostas e percursos de cada um dos partidos portugueses.
O facto de o PCP e da CDU se distinguirem do lodaçal em que ultimamente mergulhou a vida política portuguesa é um elemento decisivo do prestígio do Partido. Quantas vezes já ouvimos pessoas, desacreditadas da política, dos políticos ou até do voto, reconhecer que o PCP e a CDU são diferentes?
Trabalho, honestidade, competência é mais do que a consigna da CDU no Poder Local. É uma forma de estar na vida e na política. O inegável valor do trabalho e da obra do PCP nas autarquias é indissociável do estilo de trabalho, da dedicação aos interesses do povo, da empenhada intervenção e luta pela melhoria das suas condições de vida, da profunda identificação entre os objectivos do PCP e os interesses populares.
Honestidade, competência e transparência no desempenho das funções, recusa de benefícios pessoais, entrega e dedicação aos interesses das populações, rigor na conduta, nos procedimentos, na gestão e no exercício dos cargos são elementos que caracterizam a actuação dos eleitos comunistas. O princípio estatutário de não ser prejudicado nem beneficiado no exercício de cargos públicos traduz a concepção de que o Partido é o primeiro e principal titular do mandato e é uma afirmação concreta de desapego ao poder e recusa de privilégios.
Para os comunistas, estes princípios são justos motivos de orgulho e coesão. Para a generalidade dos trabalhadores e do povo, no entanto, o conhecimento de que é esta a atitude cívica, moral e ética dos comunistas e de muitos outros candidatos e eleitos da CDU está longe de estar adquirido. Até há quem, de tão escaldado, não acredite que seja verdade.
Moral e ética
Álvaro Cunhal refere n’ «O Partido com Paredes de Vidro» que o «profundo contraste, evidenciado no dia-a-dia da vida económica, social e política, entre a amoralidade das forças reaccionárias e a moral dos comunistas actua como um importante factor de descrédito das primeiras e da crescente confiança no Partido». Talvez não seja exagero dizer que esta afirmação se tornou mais verdadeira nos últimos tempos – basta pensar como se comportaram nas últimas duas semanas os membros do Governo e o Presidente da República.
Nessa obra, Álvaro Cunhal refere a solidariedade, a ajuda recíproca, a abnegação, a generosidade, a combatividade, a determinação, a capacidade de sacrifício, a disciplina, o amor ao povo e a dedicação aos seus interesses, a isenção pessoal, o trabalho esforçado para o bem comum, a verdade na análise dos factos e na informação, o respeito pelo ser humano, como elementos éticos e morais da ideologia e da prática dos comunistas. Moral e ética que resultam naturalmente dos objectivos da nossa luta emancipadora e que são motivo de atracção e respeito pelo ideal comunista. Moral e ética que tanta falta fazem ao País.
Num tempo em que o pacto de agressão das troikas institui como regras o ódio aos trabalhadores e ao povo, o abuso do poder, a arbitrariedade, o agravamento da exploração, o empobrecimento, as fraudes, a corrupção, o roubo, faz ainda mais falta um partido independente. Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, partido da verdade e da esperança – o PCP.
1Da introdução de «O Partido com Paredes de Vidro», de Álvaro Cunhal