Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal

Instrumento para a acção

«Num momento em que a obra, o pensamento e a luta de Álvaro Cunhal conhecem uma mais dedicada e merecida atenção», o seu «valioso legado teórico e de intervenção política, mas igualmente cultural e artístico» afirma-se como «referência na luta pelos valores da emancipação social e humana», disse Jerónimo de Sousa, anteontem, na sessão de apresentação do IV Tomo das Obras Escolhidas.

Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário

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O lançamento, resultado de um «esforço de divulgação (…) que as Edições Avante! tomaram em mãos, com o acompanhamento particular de Francisco Melo», assume-se como «duplamente significativo, mas também marcante pelo período que abarca (…) e pelo momento» em que ocorre, considerou ainda o Secretário-geral do PCP na sua intervenção. «Correspondendo ao período da fase final da crise geral do regime fascista e do advento e aproximação da situação revolucionária vitoriosa de Abril, fecha um ciclo no percurso do longo combate pelo derrubamento da ditadura de Salazar e Caetano, pela liberdade, pela democracia, pelo fim do colonialismo, por profundas transformações progressistas na sociedade portuguesa que Álvaro Cunhal e o seu Partido de sempre – o PCP – perseguiram, num combate inigualável e sem tréguas». Simultaneamente, abarca «um período de abundante acção e intervenção política e ideológica, visando o objectivo da concretização da Revolução Democrática e Nacional, cujo programa, estratégia e tarefas tinham sido plasmadas (…) em 1964, nessa obra notável de Álvaro Cunhal que é o «Rumo à Vitória», (…) a grande bússola no traçar do caminho que conduziu à Revolução e aos seu ulterior desenvolvimento».

Para Jerónimo de Sousa, o lançamento do IV Tomo é ainda significativo porque «chega no momento em que, por todo o País, se realizam as comemorações do centenário do seu nascimento, numa justíssima homenagem que não é apenas dos comunistas, mas também de muitos outros democratas e patriotas, de muitas e várias instituições, que reconhecem em Álvaro Cunhal o homem de cultura integral, a grande e destacada figura da vida política portuguesa da nossa história contemporânea».

Relevante actualidade

O legado de Álvaro Cunhal, continuou, «não tem apenas valor histórico». São «reflexões, estudos, ensaios, análises, intervenções, simples artigos» que contêm «ensinamentos válidos para a acção no presente e também para o futuro (…), respostas quer no plano da solução de problemas concretos, quer da organização da sociedade». O seu estudo é «componente estruturante e fundamental, particularmente da formação ideológica dos militantes comunistas, não apenas porque nela está inscrita a história e a vida do Partido, cujo conhecimento é fundamental para compreender o que ele é hoje e o papel que lhe está reservado nos combates do presente e do futuro, mas igualmente o conhecimento concreto da realidade do País e do mundo, dos seus problemas, do valor do estudo na ligação com essa realidade, da importância de conhecer a sociedade nos seus processos globais e o domínio das teorias e método de análise do marxismo-leninismo que têm em Álvaro Cunhal e na sua obra uma fonte de saber e riquíssimos ensinamentos. «Uma obra onde está patente a assimilação desse tese clássica central que nos diz que “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”», acrescentou.

Na iniciativa pública realizada terça-feira, 14, no Torreão Nascente, no Terreiro do Paço, em Lisboa, interveio também Francisco Melo, que detalhou com maior pormenor o conteúdo, contexto e actualidade dos textos incluídos no IV Tomo, abrangendo o período de intervenção e produção teórica de Álvaro Cunhal de Janeiro de 1967 a Janeiro de 1974.

«Em Nota Prévia à antologia de documentos do Comité Central abarcando o período de Janeiro de 1965 a 25 de Abril de 1974 dizia-se que eles resultaram “de um amplo trabalho colectivo ao nível de direcção, trabalho exercido sobre as informações e análises dos militantes do Partido, a todos os níveis, e veiculadas através da sua organização à escala nacional”. Esses documentos e duas cartas de Álvaro Cunhal (que se publicam no presente tomo), relacionadas com o trabalho preparatório para a elaboração dos referidos documentos, são a ilustração de que se só com um colectivo partidário actuante nos seus diversos níveis foi possível forjar um partido com a orientação, a organização e a actividade do PCP, sem paralelo no panorama político português. Isso, porém, não nos pode fazer esquecer uma outra verdade insofismável: a de que esse Partido pôde dispor para isso do contributo indelével de um dirigente de excepcional craveira político-ideológica, cultural e humana, de um dirigente de inquebrantável combatividade – Álvaro Cunhal», concluiu Francisco Melo.



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