Sindicato andaluz reocupa quinta do Estado

À reconquista das Turquillas

Perto de meio milhar de activistas do Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) ocuparam, no dia 1 de Maio, a herdade militar das Turquillas, na localidade de Osuna, Sevilha.

A terra deve estar nas mãos de quem dela necessita

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A acção pacífica foi liderada pelo deputado da Esquerda Unida, Juan Manuel Sánchez Gordillo, também edil do município de Marinaleda, e pelo secretário-geral do SAT, Diego Cañamero.

«Hoje, mais do que nunca, devemos reivindicar que a terra passe para as mãos dos trabalhadores. A terra e os recursos são para as pessoas que deles necessitam», declarou Sánchez Gordillo à chegada à herdade.

Desafiando a proibição dos guardas, saltaram a vedação e marcharam durante um quilómetro, entoando cânticos e palavras de ordem como «Pão, trabalho e liberdade» ou «Não somos marqueses, não somos banqueiros, somos andaluzes, somos jornaleiros».

Alcançado o local do acampamento, montaram as tendas, retomando a ocupação efectuada em Agosto passado, quando trabalhadores e sindicalistas se instalaram na propriedade durante 18 dias, preparando a terra para ser lavrada.

Fruto da persistência do SAT, uma pequena parte da herdade já foi cedida a uma cooperativa onde trabalham 25 pessoas.

Mas o sindicato exige mais, considerando que o cultivo da terra é perfeitamente compatível com a criação de cavalos do Exército. «Há espaço para todos, esta propriedade pode dar emprego a mais de uma centena de pessoas», resumiu Gordillo.

Representantes do sindicato lembraram que apresentaram planos de viabilização das terras abandonadas e solicitaram reuniões ao Ministério da Defesa, mas não obtiveram qualquer resposta.

O objectivo da jornada, segundo disse Diego Cañamero, era instalar 50 trabalhadores para iniciarem de imediato o cultivo das terras. «Começaremos por limpar as oliveiras».

No mesmo dia, membros do SAT dirigiram outras tentativas de ocupação de terras, uma na localidade de Lebrija (Sevilha) e outra entre os municípios de Úbeda e Baeza, na província de Jaén.

Expulsos das Turquillas durante a madrugada do dia 2 pela Guarda Civil, o SAT voltou no sábado, 4, com centenas de pessoas para uma nova tentativa de penetrar na propriedade, mas depararam-se com um grupo reforçado da Guarda.

Segundo Diego Cañamero, as unidades antidistúrbios da Guarda Civil tinham ordens estritas da Delegação do Governo para «impedir o acesso ao recinto militar a todo o custo, empregando todos os meios à sua disposição».

Forçados a recuar para as imediações, os trabalhadores montaram 16 tendas de campanha junto à entrada da herdade. Com eles esteve o presidente do município de La Roda de Andalucía, Fidel Romero, da Esquerda Unida.

Solidarizando-se com os activistas do SAT, Romero observou que «se estas terras passassem para as mãos de cooperativas de trabalhadores seriam criados muitos postos de trabalho na zona». «Muitas pessoas dirigem-se aos municípios pedindo trabalho. Há famílias que não têm nada e que passam por grandes dificuldades. Esta gente precisa de uma solução urgente e por isso estou nas Turquillas para apoiar esta iniciativa dos trabalhadores rurais acampados à porta».

Por seu turno, Diego Cañamero lembrou que os cerca de 1200 hectares da propriedade estão ao abandono e que apenas uma pequena parte é utilizada pelo Exército. «É um insulto para os 20 mil desempregados desta zona».

O líder do SAT já solicitou ao governo regional a criação de um banco público de terras. «Iremos onde for preciso para que isso se faça».



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