«O caminho do euro» – segundo o FMI

Aurélio Santos

Muito se falou em Portugal sobre a situação da Grécia, que se confronta hoje com um desemprego de mais de 27%, com um desemprego jovem de quase 60%, e onde os hotéis que foram à falência servem hoje de abrigo a cidadãos que antes dos chamados «ajustamentos» tinham trabalho, casa, dignidade.

Porém, pouco ou nada se disse sobre a Letónia, uma história que vale a pena conhecer, porque, como diz o ditado, nos dos outros vemos as nossas.

Quando em 2007 começou a crise, a Letónia tinha um crescimento do PIB de quase 10%, uma dívida soberana inferior a 8% e um desemprego de cerca de 5%.

A exposição dos bancos letões (o filme repete-se em todos os países) levou a Letónia a pedir ajuda à UE e ao FMI, que impuseram as suas habituais «medidas de austeridade».

A drástica austeridade imposta, muito ao género da portuguesa, levou na Letónia ao encerramento de hospitais, à redução de salários e reformas entre 25% a 30%, a uma tributação fiscal de 25% (taxa universal), à redução do estado social, etc.

Consequência: o desemprego disparou de 5% para 20%, o PIB contraiu 20% (situação de que não há memória em nenhum país), a dívida soberana passou de 8% para mais de 40%.

Na população, 5% emigrou e mais de 40% caiu na mais absoluta pobreza sem qualquer esperança de dela sair.

Conclusão da sra Christine Lagarde, directora do FMI, que muito «dignamente» se passeia com carteiras da Hermès (que chegam a atingir os 35 000 dólares americanos) e com sapatos Louboutin (que custam mais de 1000 euros): «A Letónia ensinou à Europa o caminho do euro».

Que «economia» é essa que mata, destrói e exclui quase metade dos cidadãos de um país?

É preciso adoptar outros modelos de economia que sirvam as pessoas, e não sacrificar as pessoas ao serviço de modelos económicos.

A situação dos países intervencionados e os supostos motivos para os pactos de agressão são muito diferentes de país para país, mas a troika tem aplicado em todos a mesma «bíblia» – extorquir a quem trabalha.

Na Irlanda, onde querem cortar três mil milhões de euros no «estado socia|» (menos do que em Portugal, note-se, quer em termos absolutos quer relativos), os sindicatos (TODOS) entraram em ruptura com o Governo.

É exemplo a ter em conta.



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