Actual.
«Os homens sempre foram em política vítimas ingénuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam – e, pela sua situação social, devam – formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.»
Não, não é preguiça. Mas foram mais de duas horas de luta com um ecrã de computador vazio, onde se iam alinhando frases sobre a destruição da siderurgia nacional, a liquidação dos estaleiros de Viana, a ameaça de novos roubos nos salários, o roubo nas swaps e as demissões no Governo para poderem continuar a roubar-nos. Duas horas à volta com uma actualidade onde cada gesto do Governo é um crime contra a pátria e contra o povo. Mas foram também duas horas a alinhar frases lapidares contra aqueles que, na UGT e no PS, são executantes desde sempre do processo contra-revolucionário em curso, e se preparam para o prosseguir travestidos de «progressistas». E sobre os tontos que, uma vez mais, saltam para dentro do pântano, e nos gritam «sectários» enquanto chafurdam na lama. Tanto para dizer em tão pouco espaço!
E depois lembrei-me deste texto, assente no qual a DORL promoveu esta semana dois cursos de formação. Um texto que chega a ser musical de simples e radical. Um texto que mais parece um ribeiro de água pura. Um texto escrito por Lénine há 100 anos exactos – «As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo».
«[O proletariado] educa-se e instrui-se travando a sua luta de classe; liberta-se dos preconceitos da sociedade burguesa, adquire uma coesão cada vez maior, aprende a medir o alcance dos seus êxitos, tempera as suas forças e cresce irresistivelmente.»