Jairo Espinoza *

Por uma paz justa

A participação do povo colombiano e a solidariedade internacional são fundamentais para evitar que o processo de paz em curso saia frustrado. O Partido Comunista assumiu como tarefa prioritária, neste momento, apoiar o processo de paz e garantir a participação dos trabalhadores, dos democratas, dos estudantes, das comunidades indígenas na resolução do conflito.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, não representa uma mudança substancial face ao seu antecessor, Álvaro Uribe. Foi, aliás, seu ministro da Defesa e mantém, no fundamental, o apoio da classe dominante. No entanto, precisa de se diferenciar. Acresce que, segundo sondagens, mais de 80 por cento do povo colombiano apoia as conversações, o que permite perceber a força e as potencialidades da exigência da resolução do conflito com uma paz justa.

Para a resolução pacífica e justa do conflito, é central o envolvimento das massas populares, colocando-as no centro da discussão das grandes questões numa perspectiva simultaneamente reivindicativa e construtiva. Desde logo quanto à questão agrária, que está em cima da mesa com vivacidade, mas de igual forma em relação à desmobilização e à participação política, ou à reparação das vítimas.

O nosso partido não descura, por outro lado, as demais batalhas candentes da actualidade na Colômbia. Tal como na Europa, a crise capitalista faz-se sentir e os trabalhadores, o campesinato, têm fortes lutas a travar. É uma fase de defesa dos direitos, de resistência à ofensiva da «nossa troika», na qual o objectivo é manter conquistas alcançadas no quadro mais geral de um processo de paz que avança, para mais, quando sobressaem enormes contradições de classe nas zonas rurais, ligadas não apenas à posse e exploração da terra, mas também à apropriação dos recursos naturais.

* Representante para a Europa do Partido Comunista Colombiano



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