Exemplo para a luta que continua
As comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal contribuem para um melhor conhecimento do seu exemplo, da sua obra e do seu Partido.
Álvaro Cunhal era «um homem superior em qualquer parte do mundo»
Depois da realização, ontem, do encontro com jovens subordinado ao lema «Na tua mão o destino da tua vida. Toma Partido», de que daremos conta na próxima edição, aproxima-se a data da realização da sessão cultural evocativa: dia 23 de Março pelas 15 horas na Aula Magna da Universidade de Lisboa. Nesta iniciativa, promovida em grande medida por personalidades independentes de vários quadrantes da vida nacional, será sublinhada a dimensão intelectual, artística, humana e militante de Álvaro Cunhal.
Entretanto, as comemorações prosseguem um pouco por todo o País. No distrito de Aveiro, aliás, não podiam ter tido um início mais auspicioso: o Pavilhão Multimeios de Espinho transbordou com as mais de três centenas de pessoas que fizeram questão de, com a sua presença, homenagear a vida, o pensamento e a luta do histórico dirigente comunista. As canções e marchas «Heróicas» de Fernando Lopes-Graça ecoaram pelo espaço, tendo o Coral de Letras da Universidade do Porto ficado literalmente abraçado pelo público presente. O maestro Luís Borges Coelho teve aí o espaço necessário para recriar este magnífico repertório, contando para tal com a preciosa colaboração de Fausto Neves, pianista, professor, comunista.
No auditório, o público conseguiu a custo entrar e assistir à exibição de um filme sobre Álvaro Cunhal e ouvir a intervenção de Joaquim Almeida, membro do Comité Central do PCP. Este dirigente começou a sua intervenção com a apreciação de Fernando Lopes-Graça sobre Álvaro Cunhal, de que se trataria de um «homem superior em qualquer parte do mundo». Joaquim Almeida acrescentou em seguida que «Álvaro Cunhal não seria o que foi sem o PCP e o PCP não seria o que é, com as suas características, sem o contributo de Álvaro Cunhal».
Para este dirigente do Partido, as comemorações do centenário justificam-se plenamente por se tratar de «um dos mais consequentes lutadores pela liberdade, a democracia, o socialismo» e a figura «que mais se destacou no nosso País, no século XX e início do século XXI, na luta pelos valores da emancipação social e humana». Uma luta que continua hoje e que encontra no pensamento e na vida de Álvaro Cunhal preciosos exemplos e ensinamentos.
Exposições, filmes, conferências
No sábado, teve lugar no salão nobre da Junta de Freguesia de Vialonga um debate sobre «O legado de Álvaro Cunhal ao povo português». A iniciativa, promovida pela Comissão de Freguesia do Partido, contou com a participação de Armindo Miranda, da Comissão Política.
No dia seguinte, realizou-se no átrio do Centro Cultural de Mirandela a apresentação do plano de actividades das comemorações para o distrito de Bragança. Intervieram na ocasião Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central do Partido, e José Castro, da Direcção da Organização Regional de Bragança.
A sessão contou ainda com a inauguração da exposição «Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro» e a projecção do filme sobre Álvaro Cunhal. A exposição estará patente ao público até ao dia 18 de Março, seguindo depois para outros pontos do distrito.
Na segunda-feira, em Chaves, realizou-se uma sessão pública inserida nas comemorações do centenário. Na ocasião, Jaime Toga salientou o simbolismo de falar de Álvaro Cunhal em Chaves, terra «por onde ele e outros dirigentes comunistas passaram e pernoitaram a caminho do salto para reuniões ou outras tarefas no estrangeiro». Este acto, realçou, «nunca significou uma fuga, mas apenas uma passagem com regresso, que tinha na bagagem, no pensamento e no coração a luta pela liberdade, pela democracia, a defesa do seu povo e do seu País».
Fora do âmbito partidário, a Junta de Freguesia de Grândola, juntamente com o MDM e a Sociedade Musical Fraternidade Grandolense, inaugurou ontem uma exposição evocativa da vida e da obra de Álvaro Cunhal, tendo-se seguido uma conferência sobre a tese que apresentou em 1940 sobre «O aborto: causas e soluções», na qual participou Fernanda Mateus, da Comissão Política do CC e membro do Movimento Democrático de Mulheres.