Ao serviço do País ou da troika?
O PCP denunciou, segunda-feira, o novo adiamento na «reestruturação e redimensionamento sérios das Forças Armadas», ditado pela «política de cortes, mais ou menos cegos, com que a área da Defesa Nacional e das Forças Armadas está a ser confrontada». Numa conferência de imprensa em que participou Rui Fernandes, da Comissão Política, o Partido reafirmou os dois pressupostos que, em sua opinião, são necessários para uma reestruturação séria das Forças Armadas: não partir da definição de um montante financeiro a cortar para a análise da realidade e das necessidades; e envolver neste processo as estruturas existentes da Instituição.
Para o dirigente do PCP, o processo de discussão das Grandes Opções do Conceito Estratégico de Defesa Nacional resumiu-se à história da «montanha que pariu um rato»: constituiu-se grupos de trabalho e comissões de sábios, mas «tudo estava decidido à partida», não tendo havido nenhuma «discussão séria para a concretização de um documento estratégico». Pelo contrário, o Governo e o FMI, «inverteram tudo e anteciparam o rumo que aponta, nomeadamente, para a redução do pessoal e a revisão do Estatuto dos Militares». A perspectiva, denunciou Rui Fernandes, é a alteração de carreiras, funções e direitos «sob a estrita óptica do corte e não da séria avaliação das vulnerabilidades e potencialidades».
A estratégia do Governo, clarificou Rui Fernandes, é a da «destruição, do desmantelamento e do corte», do reforço da «submissão face à União Europeia», agravando a dependência das Forças Armadas no sentido de as «obrigar a partilhar meios e missões de soberania, com perda de capacidades próprias».
Para o PCP, é tempo de o Governo clarificar o que vai fazer em relação à saúde militar e ao «sector empresarial» do Exército, onde «pode haver a tentação de privatizar o que é rentável», e de «remeter todo o processo à matriz de onde nunca devia ter saído: a matriz do interesse nacional e não da troika».