Educação é pública
Sob o lema «Mais educação, menos corrupção», milhares de estudantes manifestaram-se, dia 6, nas principais cidades de Espanha em defesa da educação gratuita.
Pela escola pública gratuita para todos
No segundo de três dias consecutivos de greve, os estudantes do Secundário reafirmaram em grandes manifestações a sua oposição ao anteprojecto de lei orgânica da Educação.
Para além da retirada do projecto, exigiram a demissão do governo, aludindo de várias formas aos casos de corrupção que atingem toda a cúpula do Partido Popular, incluindo Mariano Rajoy, presidente do governo de Espanha.
Segundo dados do Sindicato de Estudantes, a greve às aulas foi seguida por 90 por cento dos alunos nas regiões da Galiza, Aragão, Valência, Estremadura, Andaluzia, Madrid e Canárias. Nas regiões de Castela-Leão, Castela-Mancha, País Basco, Navarra, Cantábria e Múrcia a adesão oscilou entre 75 e 90 por cento.
A testemunhar a dimensão do protesto, o próprio Departamento de Educação da Junta da Andaluzia reconheceu uma adesão de 70 por cento nas escolas secundárias da região, enquanto a imprensa deu conta de greves quase totais nas províncias de Málaga, Sevilha e outras.
Dois milhões em greve
O Sindicato de Estudantes estima que mais de dois milhões de jovens em todo o país fizeram greve, deixando as aulas praticamente desertas em 2500 estabelecimentos de Ensino Secundário, e mais de 200 mil participaram em cerca de uma centena de manifestações.
Na capital, o secretário-geral da organização juvenil, Tohil Delgado, fez questão de salientar que «não nos basta que Rajoy saia sozinho, queremos que saiam todos e se forme um governo de esquerda que defenda realmente o povo, os trabalhadores, os desempregados e os estudantes, anulando a reforma laboral, a reforma das pensões, a contra-reforma franquista da educação». «Este governo do PP é uma representação perfeita da podridão do capitalismo».
O dirigente estudantil defendeu a continuação dos protestos, procurando a convergência com as organizações de pais e professores, de modo a «encostar às cordas um Ministério que só legisla para as elites».