Sei lá se é
Se os nomes de baptismo pressagiam algo, dificilmente se encontraria apelido menos confiável do que o que dá nome ao chefe destacado pelo FMI para dar sequência à missão de destruição do país que aquela entidade e a União Europeia se propuseram levar a cabo. Se razões mais substantivas e factuais não houvesse, sempre se diria que bastava ouvir citar um tal de Selassié para se inferir que dali nada de confiável pode resultar. Ou seja, por mais sinuosa argumentação que aduza para tentar fazer crer que da receita que estão a impor ao país resultará algo que não o irreversível definhamento do paciente, depressa se percebe que, para lá dos interesses e objectivos de dominação económica que justificam a ingerência, em matéria de resultados propalados, a convicção que ali reside não vencerá o horizonte de um sei lá se é!
Fazendo jus ao nome, para Selassié e a organização que representa é indiferente que para o êxito do processo de extorsão dos recursos do país e de empobrecimento e exploração do povo e dos trabalhadores se vá pelo caminho da «redução da despesa ou do aumento dos impostos». O que o personagem tem por certo, tanto quanto o apelido lhe permite, é que «Portugal ainda tem um terço do ajustamento por fazer». Com tudo o que esta última afirmação encerra de ameaça, esta sim segura e certa, se perceberá melhor o que esperaria o país e os portugueses se pacto de agressão, Governo e a política correspondente não forem derrotados. E sobretudo um certo imaginário salazarista das virtudes da pobreza e da grandeza da miséria que transborda, de Passos Coelho a Portas e Gaspar, tão bem ilustrada naquela tese que estes, e também o tal de Selassié, enunciam quando exultam com a previsão positiva de uma balança externa que não é mais do que a expressão de um país à beira da inanição económica.
Não soubessem os portugueses que entre Selassié e Passos Coelho convive a mais profunda cumplicidade e à pergunta sobre se quem governa o país seria quem seria normal fazê-lo, a resposta mais provável bem poderia ser sei lá se é!