A política alternativa e a alternativa política
Tal como acontece sempre, a comunicação social dominante e os comentadores ao serviço dos interesses dominantes, esforçam-se para diminuir a importância do XIX Congresso do PCP.
Os objectivos do Partido são contrários aos interesses do capitalismo
Habituados e formatados pelos congressos do espectáculo, onde os chefes e candidatos a chefes dos partidos da burguesia se degladiam em torno do que é marginal e supérfluo; onde tecem longas e inflamadas lengalengas para no final estarem todos de acordo com o objectivo principal de prosseguirem e ampliarem o mais que possam a política de direita que assegura aos grupos económicos e financeiros o seu enriquecimento à custa da exploração dos trabalhadores, os fazedores de opinião não vêem – porque não podem nem querem ver – que afinal o espectáculo que eles chamam de democracia não passa disso mesmo: um espectáculo degradante cujos protagonistas, embora novos na aparência, pertencem ao passado.
Sôfregos para encontrarem casos e factos e incapazes de tapar completamente o êxito que constituiu o XIX Congresso do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores – pelo debate, pelos testemunhos trazidos ao Congresso sobre os problemas reais que afectam os trabalhadores e o povo, pela unidade e coesão reveladas e pelas conclusões a que chegou – optaram mais uma vez por as distorcer e desvalorizar.
Não há que estranhar que assim seja. Já decretaram vezes sem conta a morte do PCP. E como o morto afinal está bem vivo, resistindo e lutando contra a exploração, apontando caminhos e soluções que entram em confronto aberto com os interesses instalados, então passam-lhe o atestado, com grande «respeitabilidade democrática», de Partido «fora da realidade», «atrasado no tempo».
Como se a inteligência fosse pertença dos ricos e o capitalismo fosse o fim da história. Como se os trabalhadores e o povo estivessem condenados a viver para sempre debaixo da opressão e da exploração de uns quantos senhores que, enchendo a boca de democracia, mais não querem do que perpetuar a exploração, destruir os direitos que os trabalhadores e o povo conquistaram com a força da sua luta.
Afinal cumprem o seu papel de vozes do «dono». Isto é, dos senhores do grande capital que vêem no PCP a única força que verdadeiramente se lhes opõe e que coloca com toda a clareza o objectivo de querer e lutar para romper com a política de direita, com o pacto de agressão, apresentando ao povo português uma política alternativa, patriótica e de esquerda, e perspectivando o caminho sólido para construir a alternativa política igualmente e obrigatoriamente patriótica e de esquerda. A caminho da democracia avançada e vendo nos valores de Abril o futuro de Portugal. Sem perder de vista o seu objectivo supremo de superar revolucionariamente o capitalismo e construir uma sociedade sem explorados nem exploradores – o socialismo.
A alternativa reside na luta
Ora tais objectivos são contrários aos interesses do capitalismo, põem-no em causa e por isso é natural que apresentem o Partido, a sua actividade, a sua acção sem paralelo sempre com o povo e para o povo, e o seu Congresso, as suas propostas e projecto inovador, moderno, progressista, de esquerda como coisas desfasadas no tempo, agarradas ao passado. Escondendo que o passado são eles, os que nos exploram e humilham todos os dias.
A alternativa existe e reside no povo, na sua luta, na sua vontade, e no seu voto.
O futuro de progresso e justiça social que o PCP propõe ao povo português reside na proposta de ruptura com a política de direita e o pacto de agressão que nos governa e nos rouba o emprego, a reforma e pensão, o pão, a saúde, a educação, a habitação.
O futuro imediato reside na luta dos trabalhadores e do povo, de todos os que sofrem e vêem destruído o sonho de uma vida melhor; na exigência de devolver a palavra ao povo com a convocação de eleições antecipadas; na política patriótica e de esquerda e num governo capaz de a realizar. E não na sistemática alternância entre PS, PSD e CDS, na roda dos amigos que comem à «mesa» do Orçamento; que vendem Portugal a retalho e que encontram na retórica política despida de conteúdo concreto o estilo e a forma para captarem o voto dos que sofrem todos os dias. Estes, os que todos os dias vêem as suas vidas destruídas pela política de direita e pelo pacto de agressão, não podem e não aceitam mais e mais austeridade e querem e vão lutar com todas as suas forças para impedir o desastre e lançar as bases de um Portugal livre e soberano onde quem trabalha ou vive da sua reforma ou pensão viva com dignidade.
É esse o caminho que o PCP aponta.