O XIX Congresso do PCP

A política alternativa e a alternativa política

João Dias Coelho (Membro da Comissão Política)

Tal como acon­tece sempre, a co­mu­ni­cação so­cial do­mi­nante e os co­men­ta­dores ao ser­viço dos in­te­resses do­mi­nantes, es­forçam-se para di­mi­nuir a im­por­tância do XIX Con­gresso do PCP.

Os ob­jec­tivos do Par­tido são con­trá­rios aos in­te­resses do ca­pi­ta­lismo

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Ha­bi­tu­ados e for­ma­tados pelos con­gressos do es­pec­tá­culo, onde os chefes e can­di­datos a chefes dos par­tidos da bur­guesia se de­gla­diam em torno do que é mar­ginal e su­pér­fluo; onde tecem longas e in­fla­madas len­ga­lengas para no final es­tarem todos de acordo com o ob­jec­tivo prin­cipal de pros­se­guirem e am­pli­arem o mais que possam a po­lí­tica de di­reita que as­se­gura aos grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros o seu en­ri­que­ci­mento à custa da ex­plo­ração dos tra­ba­lha­dores, os fa­ze­dores de opi­nião não vêem – porque não podem nem querem ver – que afinal o es­pec­tá­culo que eles chamam de de­mo­cracia não passa disso mesmo: um es­pec­tá­culo de­gra­dante cujos pro­ta­go­nistas, em­bora novos na apa­rência, per­tencem ao pas­sado.

Sô­fregos para en­con­trarem casos e factos e in­ca­pazes de tapar com­ple­ta­mente o êxito que cons­ti­tuiu o XIX Con­gresso do Par­tido da classe ope­rária e de todos os tra­ba­lha­dores – pelo de­bate, pelos tes­te­mu­nhos tra­zidos ao Con­gresso sobre os pro­blemas reais que afectam os tra­ba­lha­dores e o povo, pela uni­dade e co­esão re­ve­ladas e pelas con­clu­sões a que chegou – op­taram mais uma vez por as dis­torcer e des­va­lo­rizar.

Não há que es­tra­nhar que assim seja. Já de­cre­taram vezes sem conta a morte do PCP. E como o morto afinal está bem vivo, re­sis­tindo e lu­tando contra a ex­plo­ração, apon­tando ca­mi­nhos e so­lu­ções que en­tram em con­fronto aberto com os in­te­resses ins­ta­lados, então passam-lhe o ates­tado, com grande «res­pei­ta­bi­li­dade de­mo­crá­tica», de Par­tido «fora da re­a­li­dade», «atra­sado no tempo».

Como se a in­te­li­gência fosse per­tença dos ricos e o ca­pi­ta­lismo fosse o fim da his­tória. Como se os tra­ba­lha­dores e o povo es­ti­vessem con­de­nados a viver para sempre de­baixo da opressão e da ex­plo­ração de uns quantos se­nhores que, en­chendo a boca de de­mo­cracia, mais não querem do que per­pe­tuar a ex­plo­ração, des­truir os di­reitos que os tra­ba­lha­dores e o povo con­quis­taram com a força da sua luta.

Afinal cum­prem o seu papel de vozes do «dono». Isto é, dos se­nhores do grande ca­pital que vêem no PCP a única força que ver­da­dei­ra­mente se lhes opõe e que co­loca com toda a cla­reza o ob­jec­tivo de querer e lutar para romper com a po­lí­tica de di­reita, com o pacto de agressão, apre­sen­tando ao povo por­tu­guês uma po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda, e pers­pec­ti­vando o ca­minho só­lido para cons­truir a al­ter­na­tiva po­lí­tica igual­mente e obri­ga­to­ri­a­mente pa­trió­tica e de es­querda. A ca­minho da de­mo­cracia avan­çada e vendo nos va­lores de Abril o fu­turo de Por­tugal. Sem perder de vista o seu ob­jec­tivo su­premo de su­perar re­vo­lu­ci­o­na­ri­a­mente o ca­pi­ta­lismo e cons­truir uma so­ci­e­dade sem ex­plo­rados nem ex­plo­ra­dores – o so­ci­a­lismo.

A al­ter­na­tiva re­side na luta

Ora tais ob­jec­tivos são con­trá­rios aos in­te­resses do ca­pi­ta­lismo, põem-no em causa e por isso é na­tural que apre­sentem o Par­tido, a sua ac­ti­vi­dade, a sua acção sem pa­ra­lelo sempre com o povo e para o povo, e o seu Con­gresso, as suas pro­postas e pro­jecto ino­vador, mo­derno, pro­gres­sista, de es­querda como coisas des­fa­sadas no tempo, agar­radas ao pas­sado. Es­con­dendo que o pas­sado são eles, os que nos ex­ploram e hu­mi­lham todos os dias.

A al­ter­na­tiva existe e re­side no povo, na sua luta, na sua von­tade, e no seu voto.

O fu­turo de pro­gresso e jus­tiça so­cial que o PCP propõe ao povo por­tu­guês re­side na pro­posta de rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e o pacto de agressão que nos go­verna e nos rouba o em­prego, a re­forma e pensão, o pão, a saúde, a edu­cação, a ha­bi­tação.

O fu­turo ime­diato re­side na luta dos tra­ba­lha­dores e do povo, de todos os que so­frem e vêem des­truído o sonho de uma vida me­lhor; na exi­gência de de­volver a pa­lavra ao povo com a con­vo­cação de elei­ções an­te­ci­padas; na po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda e num go­verno capaz de a re­a­lizar. E não na sis­te­má­tica al­ter­nância entre PS, PSD e CDS, na roda dos amigos que comem à «mesa» do Or­ça­mento; que vendem Por­tugal a re­talho e que en­con­tram na re­tó­rica po­lí­tica des­pida de con­teúdo con­creto o es­tilo e a forma para cap­tarem o voto dos que so­frem todos os dias. Estes, os que todos os dias vêem as suas vidas des­truídas pela po­lí­tica de di­reita e pelo pacto de agressão, não podem e não aceitam mais e mais aus­te­ri­dade e querem e vão lutar com todas as suas forças para im­pedir o de­sastre e lançar as bases de um Por­tugal livre e so­be­rano onde quem tra­balha ou vive da sua re­forma ou pensão viva com dig­ni­dade.

É esse o ca­minho que o PCP aponta.



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