Tempo de grandes combates
Jerónimo de Sousa participou, sábado, num grande comício em Valongo, inserido na campanha Pôr Fim ao Desastre. Com o PCP, uma política e um governo patrióticos e de esquerda.
Centenas de pessoas não conseguiram entrar no auditório
A sala foi pequena, muito pequena, para todos quantos fizeram questão de, com a sua presença, dar mais força ao comício que o PCP promoveu naquele concelho do distrito do Porto, flagelado, como outros, pela violência da ofensiva que está em curso pela mão do Governo, com o apoio mais ou menos dissimulado do PS e do Presidente da República, e da troika estrangeira. Às centenas de pessoas que transbordavam por completo a sala do Fórum Vallis Longus juntavam-se, no exterior, outras tantas, impossibilitadas de entrar por falta de espaço.
Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa reafirmou que a proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo Governo PSD/CDS «só pode merecer o repúdio generalizado dos trabalhadores e do povo português». Trata-se, acrescentou, de um Orçamento que é «produto do ilegítimo pacto de agressão das troikas e de um governo que não tem sustentação política nem social e que a luta do nosso povo pode e deve derrotar, e com ele o próprio Governo e o pacto que executa».
Uma coisa é certa para o Secretário-geral do PCP: «o País não tem futuro com esta política, com este Governo e com o pacto de agressão e cada dia que passa se afirma como inequívoca a indispensabilidade de uma política alternativa.» Jerónimo de Sousa acrescentou em seguida ser precisamente com o objectivo de concretizar uma tal política alternativa, patriótica e de esquerda, e promover um governo que a concretize que o PCP «tem apelado à convergência de todos os democratas e patriotas, das forças e sectores que verdadeiramente se disponham a assumir a ruptura com a política de direita».
Luta é resposta necessária
A luta é, para o Secretário-geral do Partido, a «resposta necessária e indispensável para romper o cerco das inevitabilidades e derrotar esta política e este Governo». É, mesmo, a «grande arma que os trabalhadores e povo têm para defender os seus interesses e os interesses do País».
Realçando que esta luta tem vindo a assumir uma grande amplitude e que é preciso intensificá-la, valorizá-la e apoiá-la, Jerónimo de Sousa salientou que neste tempo de «grandes combates e muitas tarefas», há que dar «força e amplitude às muitas lutas em curso e, particularmente, à greve geral da CGTP-IN, marcada para o próximo dia 14 de Novembro». Esta, concluiu, deverá constituir uma «grande e massiva resposta dos trabalhadores e do povo a um Governo que é já do passado».
Redobrar o empenho
Antes de Jerónimo de Sousa, Joaquim Delgado, da Comissão Concelhia de Valongo do PCP, salientou as «consequências profundamente negativas para os trabalhadores, para o povo e para os pequenos e médios empresários» da aplicação da política de direita. Com a concretização do pacto de agressão das troikas, acrescentou, tudo piorou: nos serviços públicos de Saúde e Educação, nos transportes, na habitação social, no poder local.
O dirigente concelhio denunciou ainda a aprovação, pela Assembleia Municipal, do chamado Plano de Ajustamento Financeiro do concelho, que se enquadra no famigerado PAEL. Este plano, acrescentou, aprovado por PSD e CDS (com a abstenção do PS e do BE) vigorará por 14 anos e vincula o município à «aplicação da receita já em curso – privatizações, baixa do investimento, encerramento de equipamentos municipais, como piscinas, pavilhões, bibliotecas e centros culturais, aumento de taxas e impostos, dívida galopante».
César Ferreira, da Comissão de Freguesia de Valongo do PCP, saudando a presença de Jerónimo de Sousa, deixou um apelo que, a julgar pelo entusiasmo das centenas de pessoas presentes, será levado em conta: «Vamos redobrar o empenho! A realidade confirma a actualidade e pertinência do ideal comunista. Há boas condições para atrair novos militantes.»