Cerrar fileiras e unir vontades
Perto de 300 militantes e simpatizantes comunistas estiveram presentes no comício do PCP, em Fafe, na sexta-feira, que contou com a presença do Secretário-Geral do Partido. Numa iniciativa inserida na campanha Pôr Fim ao Desastre, foram muitas e duras as críticas ao rumo a que o País tem sido sujeito.
Jerónimo de Sousa, no seu discurso, fez um balanço do quase ano e meio desde a assinatura do pacto de agressão: um País a regredir com injustiças e desigualdades, uma realidade nacional cada vez mais marcada pela destruição da economia, o aprofundamento da recessão económica e um acelerado processo de empobrecimento de milhões de portugueses. No auditório da Associação Desportiva de Fafe, onde quase não cabiam os presentes, o Secretário-geral do Partido comparou a chantagem que conduziu o País ao pacto de agressão àquela que é hoje feita em relação ao Orçamento do Estado para o próximo ano: a suposta inevitabilidade de medidas que mais não são do que o resultado da «deliberada intenção de continuar a penalizar os trabalhadores e as classes populares e continuar o processo de transferência de fundos públicos para o grande capital», seja em dinheiro seja através das privatizações.
Apelidado de «sufoco fiscal« pelo Secretário-Geral comunista, o Orçamento do Estado e as suas medidas foram vaiados pelos presentes no comício que confirmaram, assim, a frontal rejeição de um «colossal confisco dos salários e das reformas», que apenas contribuirá para agravar ainda mais a vida de milhares de famílias. «São mais 2800 milhões retirados, no fundamental, aos rendimentos do trabalho e aos reformados», rematou Jerónimo de Sousa.
Derrotar o pacto e o Governo
A proposta de aumento do IRS, a par do incremento do conjunto de impostos indirectos – de mais 581 milhões de euros, dos quais 292 milhões de euros de IVA – e de um aumento na ordem dos 340 milhões de euros de IMI, foram igualmente alvo de fortes críticas em Fafe. Num contexto em que a procura e o consumo continuam em regressão, estes aumentos resultarão em mais falências e mais desemprego.
A intervenção do Secretário-geral do PCP terminou com um forte apelo à luta dos trabalhadores e do povo português, de forma a repudiar o Orçamento do Estado, derrotá-lo e, com ele, um governo «que não tem sustentação política nem social» e o pacto de agressão que este executa. Como alternativa, Jerónimo de Sousa sublinhou a importância de lutar por uma política patriótica e de esquerda.
De fora não ficou o apelo às diversas lutas em curso, nomeadamente à greve geral convocada pela CGTP-IN para 14 de Novembro, lembrando o Secretário-Geral do PCP que «a hora é de cerrar fileiras, de unir esforços, vontades e coragem», de acabar com a «vaga de terrorismo social que está em curso». Também o XIX Congresso do PCP – que se encontra já na sua terceira fase de preparação – não foi esquecido, dada a especial importância que assume no contexto que se atravessa.
As lutas mais recentes mereceram ainda destaque no comício do PCP em Fafe, como as manifestações de 15 e de 29 de Setembro, ou a Marcha Contra o Desemprego, que envolveu milhares de pessoas por todo o País e partiu do distrito de Braga, profundamente marcado por este flagelo social, como deu nota João Frazão, em nome da Direcção da Organização Regional de Braga do PCP. Também Marília Laranjeira, da Organização Regional de Braga da JCP, saudou a luta dos trabalhadores e do povo português, realçando o papel determinante que a juventude tem e terá em resistir, em lutar e em tomar partido.