Britânicos dizem basta a uma falsa solução

Clamor contra a austeridade

Mais de 150 mil pessoas manifestaram-se, no sábado, 20, na capital britânica, contra os cortes crescentes que o governo conservador-liberal pretende impor a pretexto da necessidade de reduzir a despesa pública.

Em vez de crescimento, pobreza e desigualdades

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A «Marcha por um futuro que funciona» foi convocada pelo Congresso dos Sindicatos (TUC), a maior confederação do país que reúne 54 organizações sindicais.

Trabalhadores de todo o país viajaram para a capital londrina para denunciar a falácia da austeridade, cujos resultados, tanto no Reino Unido como em qualquer parte, são apenas recessão, desemprego e empobrecimento para a maioria da população, mais riqueza e opulência para uma pequena minoria de privilegiados.

A manifestação, encabeçada por uma faixa em que se lia «Austeridade não funciona», passou frente ao parlamento de Westminster, até alcançar o Hyde Park.

Trabalhadores de vários sectores, em particular dos serviços públicos, fizeram também ouvir a sua voz em Belfast, Irlanda do Norte, e em Glasgow, na Escócia.

No discurso que proferiu no final do desfile, Brendan Barber, secretário-geral do TUC, reafirmou que «a austeridade não funciona, está a atingir os nossos empregos, os nossos serviços, o nosso nível de vida, está a flagelar os mais pobres e vulneráveis».

Barber lembrou ainda que o governo prometeu a recuperação económica se os trabalhadores aceitassem os sacrifícios, mas em vez de retoma, salientou, «estamos a cair numa profunda recessão». «Disseram-nos que se aceitássemos os cortes, o défice público baixaria. Em vez disso, a nossa dívida está a ultrapassar todos os tectos».

Mas «a maior mentira foi o discurso cínico de que “estamos todos nisto juntos”. A realidade sombria foi a redução de impostos para os mais ricos e cortes nas regalias e salários para os mais pobres».

Considerando que «é tempo de uma mudança», Barber afirmou: «uma coisa é certa. Cortes, privatizações e ataques ao emprego e aos direitos não são a resposta. É um caminho que não leva a nenhum lado. Por isso temos de fazer uma escolha entre um futuro de crescentes desigualdades ou um futuro de justiça (…) A nossa escolha é clara, exigimos um futuro que funcione».

Sacrifícios sem fim

O endurecimento do discurso dos sindicatos é uma resposta às recentes declarações do primeiro-ministro, David Cameron, de que os britânicos deverão preparar-se para «decisões dolorosas».

Os economistas avançam com previsões negras que justificariam a manutenção da redução da despesa pública muito para lá das eleições de 2015.

Entre o primeiro trimestre de 2010 e o segundo de 2012, a economia britânica teve um comportamento anémico, evoluindo apenas 0,9 por cento, muito abaixo das previsões do gabinete orçamental (OBR, Office for Budget Responsability) que apontavam para um crescimento de 5,7 por cento no referido período.

A verdade é que após três trimestres consecutivos de contracção económica, desde o final de 2011, a economia de Sua Majestade cairá na recessão. O clima social, já bastante agitado, tenderá a agravar-se. Como também referiu o secretário-geral do TUC, o Reino Unido tem mais de 2,5 milhões de desempregados, outros três milhões não trabalham o suficiente para sobreviver e os salários estão a cair de mês para mês. 



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