Desemprego requer acção
A Intersindical vai realizar uma marcha de nove dias, de Braga a Lisboa, contra o desemprego, porque «é preciso agir, identificando os problemas, apresentando soluções, mobilizando os desempregados».
A central apela ao apoio dos trabalhadores e das populações
A decisão foi anunciada na segunda-feira, em conferência de imprensa, na qual o secretário-geral da CGTP-IN assumiu que não foi escolhido por acaso o período de 5 a 13 de Outubro. A Inter pretende marcar posição, nos dias que antecedem a discussão do próximo Orçamento do Estado no Parlamento, afirmando que há alternativas ao rumo do Governo e da troika.
No documento distribuído aos jornalistas – e onde são apresentadas «dez medidas para combater o desemprego» –, a CGTP-IN sublinha que «o desemprego inibe a criação de riqueza e fomenta a pobreza». Hoje, «o memorando da troika e a política do Governo do PSD/CDS estão a trucidar o emprego, a banalizar os despedimentos e a precariedade, a fomentar o desemprego, a reduzir os salários e a protecção social, a aumentar as desigualdades e a generalizar a pobreza», prevendo-se que «em 2012 serão destruídos mais de 200 mil postos de trabalho». Esta perspectiva manter-se-á em 2013, «caso não se invertam as políticas em curso», e a «recuperação» que o FMI prevê a partir de 2014 é «incerta e pouco credível». A central regista que, de acordo com essas previsões, «estamos perante um aumento brutal do desemprego estrutural, nos próximos anos, com a agravante de se acentuar a exclusão social, face ao aumento do número de desempregados sem qualquer protecção social».
Destacando que «a situação dos jovens tornou-se dramática, nomeadamente entre os que têm menos de 25 anos» – como referiram a Interjovem/CGTP-IN e a Juventude Comunista Portuguesa, em reacção aos dados mensais que o IEFP divulgou no dia 18 –, a Inter realça que «esta é uma política que está a pôr em causa o presente e a comprometer o futuro».
Aberta a todos
A CGTP-IN adiantou que a marcha contra o desemprego envolverá desempregados e jovens à procura do primeiro emprego, mas igualmente trabalhadores que perderam os postos de trabalho, devido ao encerramento de empresas e que continuam há anos a aguardar o pagamento de salários em atraso e indemnizações, bem como de outros, que se encontram com salários em atraso ou sujeitos ao lay-off. Abarcará igualmente trabalhadores de empresas em perigo de encerramento.
«Sendo uma acção aberta a todos os que nela queiram participar, a CGTP-IN irá estabelecer, no plano regional, um conjunto de contactos com diversas entidades, no sentido de apoiarem e se solidarizarem com esta marcha, que também tem como objectivo que o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos seja assegurado a todos quantos trabalham e vivem em Portugal», afirma a central.