«Eles comem tudo…»

Reiterado no debate foi o diagnóstico do PCP quanto à situação do País, caracterizada por mais desemprego, mais recessão, mais pobreza, mais miséria – em resultado da aplicação da receita da troika – mas também mais descontentamento popular, mais resistência, mais luta.

Realidade esta que desmente a afirmação do PSD segundo a qual o Governo está a conduzir o País no «bom caminho».

António Filipe fez notar que há de facto quem esteja contente, só que não é seguramente nem os trabalhadores nem o povo. O BPN, por exemplo, que já levou mais de 8000 milhões de euros, «estará satisfeitíssimo», tal como, acrescentou, «os bancos que executam salários e património das famílias endividadas por campanhas de marketing enganoso, os bancos que se financiam a um por cento de juros no BCE e compram títulos da dívida pública a juros usurários ou os bancos que beneficiam dos 12 mil milhões de euros da troika e não concedem crédito à economia e às empresas.

«Todos estes estão contentíssimos», enfatizou o deputado do PCP, o mesmo sucedendo com os beneficiários das parcerias público privadas (que este ano receberão 1000 milhões de euros do Estado), enquanto os portugueses vão pagar mais pela saúde, pagar mais por portagens que não deviam pagar.

Satisfeitíssimos estarão também, prosseguiu, os consórcios que venderam submarinos e blindados às forças armadas no valor de muitos milhões, uma vez que «prometeram contrapartidas de mais de 2000 milhões de euros e têm um governo que não faz nada para recuperar esse valor», o mesmo acontecendo com os accionistas das empresas do sector energético – a GALP (que lucrou 400 milhões de euros) ou a EDP (com lucros de mais de 1000 milhões anuais nos últimos cinco anos).

António Filipe frisou, por último, que os juros da troika – 35 mil milhões de euros – são pagos com privações, com pobreza, com miséria; não são pagos pelos grupos financeiros». Estes, acusou, parafraseando José Afonso, «comem tudo». «Eles comem tudo, e não deixam nada».



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