Islândia apura responsabilidades

Ex-governante julgado

O antigo primeiro-ministro da Islândia, Geir Haarde, começou a ser julgado, na segunda-feira, 5, por negligência na crise bancária de 2008, que colocou o país na bancarrota.

Políticos e gestores sentam-se no banco dos réus

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O governante começou a ser ouvido pelo tribunal especial de Landsdomur, instância criada em 1905 para julgar membros do governo, mas que até agora nunca tinha sido convocada. O processo, aberto há mais de três anos por uma comissão parlamentar de investigação desembocou até ao momento numa única condenação: a de Baldur Gudlaufsson, ex-secretário do ministro das Finanças, que vendeu, duas semanas antes do colapso bancário, acções no valor de 1,6 milhões de dólares do Landsbanki, um dos bancos que faliram na altura. O arguido recorreu da sentença de dois anos de prisão para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

A acusação contra Haarde, no poder entre 2006 e 2009, sustenta que o ex-primeiro-ministro ignorou os sinais de que os três principais bancos do país (Glitnir, Landsbanki e Kauthing) estavam à beira da falência, faltando às suas responsabilidades como chefe do executivo.

Por seu lado, a defesa alega que o chefe do governo não podia intervir na actividade dos bancos e exige que a procuradoria prove que as suas decisões provocaram o colapso bancário. O processo deve ficar concluído até ao próximo dia 15, podendo Haarde ser condenado com uma pena até dois anos de prisão.

A queda dos três bancos revelou uma dívida dez vezes superior ao Produto Interno Bruto islandês, obrigando o governo a suspender os pagamentos ao exterior, a desvalorizar fortemente a moeda e a impor um drástico corte nas despesas sociais, fazendo disparar o desemprego para os dez por cento.

Apesar de alguma recuperação económica e financeira deste pequeno país com pouco mais de 320 mil habitantes (o crescimento ronda os 2,5 por cento e o desemprego baixou para sete por cento), as feridas da crise de 2008 continuam abertas e é grande a determinação popular de punir os responsáveis.

Em paralelo com os processos contra responsáveis políticos, a justiça persegue igualmente antigos gestores. No passado dia 23 de Fevereiro, quatro ex-dirigentes do Kaupthing foram acusados por fraude e manipulação do mercado.



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