Empobrecimento forçado
Nove meses passados da assinatura do pacto de agressão, a aplicação das suas medidas está a representar um verdadeiro massacre às condições de vida e de trabalho das classes trabalhadoras e populares. Uns são atirados para o empobrecimento forçado, outros aprisionados a uma espiral de pobreza e de exclusão social. O País é lançado para o retrocesso económico e social.
Segundo as concepções do Governo, a pobreza é algo natural e inevitável
Assim o confirma o caminho de recessão económica e destruição do aparelho produtivo nacional: mais de 40 mil postos de trabalho perdidos por mês no último trimestre de 2011; mais de um milhão e cem mil desempregados em que apenas 27% têm acesso ao subsídio de desemprego.
Regista-se um brutal aumento de preços – na saúde, alimentação, habitação, transportes e energia; a diminuição da parte do rendimento nacional que reverte para os trabalhadores por via dos salários e das pensões após uma vida de trabalho; o aumento dos impostos directos e indirectos sobre quem tem como única fonte de rendimento o seu trabalho e sobre as camadas da população mais vulneráveis.
Enquanto se alargam os benefícios e privilégios do grande patronato e do capital financeiro, é imposto o congelamento das pensões de invalidez e velhice do sistema público de Segurança Social para todos os reformados com mais de 15 anos de descontos e cujos valores de reforma oscilam entre os 274 e os 379 euros. Igual receita foi aplicada aos aposentados da Caixa Nacional com mais de 18 anos de descontos e com valores de reformas entre os 272 e os 400 euros.
São impostas injustas limitações de acesso a importantes apoios e prestações sociais aos que se encontram em situação de pobreza: 176 mil crianças deixarem de receber abono de família (Dez. 2010/Dez. 2011); 32 mil famílias perderam o rendimento social de inserção (Ago. 2010/ Out. 2011); milhares de jovens perderam a acção social escolar; milhares de utentes ficaram sem o direito à isenção no pagamento de taxas moderadoras e muitos perderam o direito à isenção de pagamento do transporte de doentes.
Os executores e promotores do pacto de agressão tentam criar a ilusão de que os sacríficios que estão a ser impostos são de carácter conjuntural, e que por isso devem ser aceites sem «pieguices» ou «lamúrias» porque, no final, Portugal terá ultrapassado as dificuldades e estará no caminho certo. Trata-se de um gigantesco embuste: a não ser rejeitado o pacto de agressão, em matéria de desigualdades, empobrecimento e pobreza, «a procissão ainda vai no adro».
Das falsas promessas aos apoios
As falsas promessas de combate à pobreza marcaram a agenda política dos governos do PS e do PSD/CDS e fundamentaram a aprovação de diversos Planos de Inclusão Social a partir de 2001, tendo como pontos altos o Ano Europeu da Igualdade para Todos (2007) e o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à exclusão social (2010). O actual Governo PSD/CDS dá prioridade às medidas de carácter assistencialista e caritativo dirigidas aos que mais precisam.
Tais mudanças não representam diferenças substantivas quanto à natureza das políticas que lhes estão subjacentes, mas mostram a impossibilidade de continuar a vender «ilusões» de que é possível em Portugal combater as desigualdades sociais e pobreza no quadro do processo de recuperação capitalista iniciado em 1976 e da aubordinação às orientações da União Europeia. É disso exemplo o facto de Portugal ter atravessado a primeira década do seculo XXI numa situação de atraso relativamente à generalidade dos países da UE no que diz respeito a taxas de pobreza, baixos salários e pensões, desigualdades entre ricos e pobres.
Agora, a «crise» e o pacto de agressão representam uma oportunidade para o grande patronato e o capital financeiro aumentarem a exploração, para a redução de salários, a privatização das funções sociais do Estado, a redução de direitos económicos e sociais. Torna-se-lhes indispensável retomar uma concepção política e ideológica assente na aceitação da pobreza como algo «natural» e «inevitável» e retirar a quem é pobre o direito de deixar de o ser.
É esta a matriz ideológica das políticas de emergência social do Governo – alicerçadas no assistencialismo e na caridade –, apresentadas como um modelo de inovação social quando na prática representam um regresso às velhas consignas do capitalismo – «a pobreza é fruto da preguiça» – ou às preocupações que atravessaram as políticas assistencialistas dos anos 30 e 40 do regime fascista de que não se deveria promover nem a preguiça nem a pedinchice.
Estas políticas inserem-se num processo de destruição da solidariedade expressa numa mais justa distribuição da riqueza produzida; na valorização do emprego e da autonomia económica dos trabalhadores e dos reformados; em salários e pensões dignas; numa adequada política fiscal que faça pagar a quem mais tem e mais ganha; no respeito por funções sociais do Estado que garantam a igualdade de todos os portugueses à saúde, à segurança social, à educação e à cultura.
Por isso, está em curso uma intensa luta contra pela rejeição do pacto de agressão. Um novo patamar está colocado com a convocação pela CGTP-IN da greve geral a 22 de Março. E vamos cumpri-lo com toda a confiança.