A urgência da luta pela paz
Obama está a revelar-se um excelente negociante de material bélico
Nos últimos dias do ano que findou, os Estados Unidos tornaram pública a venda à Arábia Saudita de 84 aviões de combate de tipo F-15. O contrato entre Washington e Riad atinge um valor de 30 mil milhões de dólares (23,2 mil milhões de euros). Poucos dias depois, seguiu-se o anúncio do fornecimento aos Emiratos Árabes Unidos de sistemas anti-mísseis e de radar no valor de 3,48 mil milhões de dólares (2,7 milhares de euros). O prémio Nobel da paz, Barack Obama, depois de já ter demonstrado na Líbia e no Paquistão capacidades guerreiras idênticas às do seu antecessor, o republicano George Bush, está a revelar-se um excelente negociante de material bélico, sobretudo em zonas explosivas onde a cada momento podem eclodir conflitos de consequências imprevisíveis. Mas, neste momento de agravamento acelerado da crise do sistema capitalista, o dirigente da maior potência imperialista mundial mostra sobretudo preparar-se para todo o tipo de saídas para a crise, incluindo o desencadeamento de um conflito militar generalizado.
Já no discurso sobre «a primavera árabe» (19.05.2011), Obama procurara esconder os objectivos de rapina do capital monopolista norte-americano no Médio Oriente e na África do Norte através de numerosas referências à «democracia». Nunca falou no interesse dos EUA pelo «petróleo» dos povos da região, mas na «liberdade religiosa», no «direito a governos eleitos», na «liberdade de opinião», fosse em «Bagdade, Damasco, Sanaa ou Teerão». Obama não conseguiu explicar as razões que levaram os EUA a apoiar durante 30 anos a ditadura de Mubarak, nem nunca se referiu à situação de despotismo confessional e político dos seus aliados árabes de maior confiança, como a Arábia Saudita, Bahrain, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Oman e Koweit. Para Washington e o seu presidente, a democracia mede-se visivelmente em barris de petróleo. Quanto mais as monarquias absolutas do Golfo colocarem o ouro negro à disposição das companhias norte-americanas, e ajudarem os EUA e o Pentágono a manter a hegemonia e o controlo sobre as principais reservas energéticas mundiais, ou transformarem os respectivos estados em filiais da ExonMobil, Halliburton ou Chevron, tanto mais reinará a «democracia» e a «estabilidade» na região.
Foi com base nesta nova filosofia política que Obama apareceu a 5 de Janeiro a apresentar uma suposta nova doutrina militar estratégica. Alguns media interpretaram as declarações do presidente americano como uma redução das «despesas» e dos «meios militares». Mas o próprio Obama explica que «de facto, o orçamento militar continuará a ser superior ao que existia no final do governo de Bush». E acrescenta: «estou certo de que o povo americano compreenderá que podemos manter a nossa força militar e a segurança da nossa nação com um orçamento que no futuro continuará a ser superior ao conjunto dos próximos dez países» militarmente mais fortes. O ministro da Defesa, Panetta, explicando o sentido do novo documento do Pentágono, intitulado «Manutenção do papel dirigente dos EUA – Prioridades para a política de Defesa do século XXI», diz que a força militar marítima e aérea passará a ter o papel decisivo, com a utilização de engenhos e armas teleguiadas. Os Estados Unidos partem pois do princípio de que se um regime não lhes agradar, poderão passar a ter o direito de assassinar à distância os dirigentes políticos e militares que não obedeçam às sua ordens.
A urgência da luta pela paz e contra as guerras imperialistas continua a ser uma questão crucial para a humanidade e para o futuro da democracia, o poder dos povos. As mudanças de retórica e de estratégia operadas pelo imperialismo não alteram os seus objectivos de domínio nem o seu carácter criminoso, agressivo e opressor.
Já no discurso sobre «a primavera árabe» (19.05.2011), Obama procurara esconder os objectivos de rapina do capital monopolista norte-americano no Médio Oriente e na África do Norte através de numerosas referências à «democracia». Nunca falou no interesse dos EUA pelo «petróleo» dos povos da região, mas na «liberdade religiosa», no «direito a governos eleitos», na «liberdade de opinião», fosse em «Bagdade, Damasco, Sanaa ou Teerão». Obama não conseguiu explicar as razões que levaram os EUA a apoiar durante 30 anos a ditadura de Mubarak, nem nunca se referiu à situação de despotismo confessional e político dos seus aliados árabes de maior confiança, como a Arábia Saudita, Bahrain, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Oman e Koweit. Para Washington e o seu presidente, a democracia mede-se visivelmente em barris de petróleo. Quanto mais as monarquias absolutas do Golfo colocarem o ouro negro à disposição das companhias norte-americanas, e ajudarem os EUA e o Pentágono a manter a hegemonia e o controlo sobre as principais reservas energéticas mundiais, ou transformarem os respectivos estados em filiais da ExonMobil, Halliburton ou Chevron, tanto mais reinará a «democracia» e a «estabilidade» na região.
Foi com base nesta nova filosofia política que Obama apareceu a 5 de Janeiro a apresentar uma suposta nova doutrina militar estratégica. Alguns media interpretaram as declarações do presidente americano como uma redução das «despesas» e dos «meios militares». Mas o próprio Obama explica que «de facto, o orçamento militar continuará a ser superior ao que existia no final do governo de Bush». E acrescenta: «estou certo de que o povo americano compreenderá que podemos manter a nossa força militar e a segurança da nossa nação com um orçamento que no futuro continuará a ser superior ao conjunto dos próximos dez países» militarmente mais fortes. O ministro da Defesa, Panetta, explicando o sentido do novo documento do Pentágono, intitulado «Manutenção do papel dirigente dos EUA – Prioridades para a política de Defesa do século XXI», diz que a força militar marítima e aérea passará a ter o papel decisivo, com a utilização de engenhos e armas teleguiadas. Os Estados Unidos partem pois do princípio de que se um regime não lhes agradar, poderão passar a ter o direito de assassinar à distância os dirigentes políticos e militares que não obedeçam às sua ordens.
A urgência da luta pela paz e contra as guerras imperialistas continua a ser uma questão crucial para a humanidade e para o futuro da democracia, o poder dos povos. As mudanças de retórica e de estratégia operadas pelo imperialismo não alteram os seus objectivos de domínio nem o seu carácter criminoso, agressivo e opressor.