A «enésima» fase

Carlos Gonçalves

No último domingo teve lugar um «Conselho de Ministros informal». A informalidade residiu no facto, comprovado por terabites de informação ruidosa, das gravatas terem ficado na gaveta do assessor de imagem e do extenso rol de malfeitorias decididas e calendarizadas não ter sido formalmente anunciado, apesar do conteúdo ter sido «esparramado» nos media dominantes, sempre atentos e agradecidos ao show off do Governo PSD/CDS.

Este Conselho foi cuidadosamente preparado por uma «onda de simpatia mediática», que o definiu como o «início da segunda fase do Governo», a passagem do «apressado cumprimento» das decisões da troika e do «pacote de resgate», a que «outros» conduziram o País, para a fase de «mudança de agulha», de implementação das «reformas» para a resolução dos «graves problemas nacionais», em que o Governo vai «finalmente assumir as suas responsabilidades». A «segunda fase» revela-se assim como criação do marketing político da central de contra-informação do Governo e «facto mediático» para mistificar a verdade e escamotear as responsabilidades do PSD/CDS na situação actual, tal qual fez o PS noutras conjunturas.

O que está para vir, em 2012, não será mais que a continuação para pior de 2011, do PEC e do pacto, do que fizeram PS e PSD/CDS – mais «austeridade», isto é, aprofundamento da (mesma) roubalheira contra os trabalhadores, o povo e o País, mais (contra) «reformas estruturais», mais delapidação de direitos sociais e económicos, mais injustiças, exploração e desemprego, mais privatizações e dependência, mais dezenas de milhares de milhões para a banca e o capital financeiro e sempre mais «buraco negro», sem fundo, para onde os «mercados» sugam toda a riqueza.

Ao fim de 35 anos de política de direita estamos na realidade na enésima fase da sua concretização, e é aí e no pacto de agressão que PSD, CDS e PS se unem, no OE e no federalismo. Mas estão também juntos nas mistificações, cada um na sua, mas convergindo para se eternizarem no rotativismo do poder, ao serviço dos grandes interesses.

É tempo de esclarecer e vencer as mistificações. É tempo de lutar e derrotar o pacto de agressão da troika do PS/PSD/CDS. É urgente uma nova política.



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