Artimanhas

Entre o PS e as bancadas do Governo e da maioria, na manhã do primeiro dia de debate, quase tudo girou em torno da questão da folga e da almofada das cativações no OE. O PS a dizer que sim, que há, em favor da reposição de um dos subsídio que o Governo quer roubar; este a dizer que não, não há margem.

Por trás da acesa troca de palavras, por onde quiseram encaminhar o debate, como se essa fosse a questão fundamental, outro intuito porém se escondia. Bernardino Soares desmascarou a marosca dizendo que esta era a forma que convinha ao PS para não debater as verdadeiras opções de fundo por si compartilhadas com o PSD e o CDS.

«Compreende-se que queiram falar da folga toda a manhã para não falar do que é o centro e o cerne desta política», observou o líder parlamentar do PCP, sublinhando que muito embora o PS defenda «opções diferenciadas em relação ao Governo em vários aspectos» a verdade é que «são sempre na mesma linha: sempre para tirar aos trabalhadores; nunca em nenhum momento para tirar ao capital».

«Esta é que é a verdadeira razão para quererem a folga, porque não querem debater a coincidência profunda que têm na política deste OE», enfatizou, lembrando que uns e outros «estão de acordo com o corte de salários, com o corte das prestações sociais, com o aumento do IRS e do IMI, com o aumento do custo de vida através do aumento do IVA dos bens alimentares, com a alteração do horário de trabalho, com a baixa do pagamento das horas extraordinárias, com as privatizações, com tudo o que é fundamental».

Essa singularidade que foi a chamada «abstenção violenta», com que o PS apelidou o seu sentido de voto, foi também comentada por Bernardino Soares, que viu nela nada mais do que uma «falta de projecto e uma falta de protesto».

«Por ser o primeiro subscritor do pacto de agressão e por ser co-responsável por esta política, por opção própria, é que o PS continua a ser parte do problema e a não ser parte da solução», sustentou.



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