Barcos do Seixal podem terminar

Governo extermina mobilidade

No documento intitulado «Simplificação tarifária e reformulação da rede de transportes da Área Metropolitana de Lisboa», apresentado às autarquias, o Governo prevê, entre muitos outros cortes (ver página 8), a ligação fluvial entre o Seixal e o Cais do Sodré só em dias úteis e períodos de ponta, e, num outro cenário, a sua total extinção.

É preciso respeito pelas populações

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Em nota dirigida à comunicação social, a Comissão Concelhia do Seixal do PCP considera os «cenários apresentados» como «inaceitáveis», recorda que «qualquer redução da circulação é prejudicial para os utentes» e sublinha que «diminuir a oferta de transportes públicos é regressar ao passado».

«A privatização de importantes sectores do transporte público, que o actual Governo PSD/CDS pretende levar mais longe que nunca (aproveitando o caminho aberto com a legislação aprovada no anterior governo PS), veio, na verdade, trazer a diminuição efectiva da oferta e da qualidade do serviço, a par da introdução de diversas restrições ao uso do passe social intermodal. Esta realidade em muito tem contribuído para a perda de milhares de passageiros e o consequente e crescente recurso ao transporte individual com todos os inconvenientes económicos, sociais e ambientais daí decorrentes», acusam os comunistas, que apelam à população do concelho para que lute contra «estas medidas e rejeitem as pretensões do Governo contidas na proposta de Reformulação da Rede de Transportes e no Plano Estratégico de Transportes».

Em sessão de Câmara, realizada na quinta-feira, o vice-presidente da autarquia acusou mesmo o Governo de ter uma estratégia que «pretende apenas favorecer os privados». O que está em causa, disse Joaquim Santos, «é uma série de cortes, sem que sejam medidos impactos, nem para os utentes, nem para os outros operadores. O Governo quer cortar custos cortando serviços para privatizar os transportes.»

No caso da ligação fluvial entre Seixal e Lisboa, o eleito do PCP afirmou que «é um serviço usado em média por cinco mil pessoas por dia durante a semana», razão que o levou a afirmar ser «frontalmente contra a supressão ou qualquer redução» do serviço.

«O que é grave é que se repitam situações como a do Metro Sul do Tejo, [cujo contrato de concessão o Governo anunciou querer renegociar “no mais curto espaço de tempo possível”], em que o Executivo PSD/CDS duplicou a banda de referência de passageiros para lançar o concurso e privilegiar o sector privado, que continua a receber indemnizações compensatórias», acrescentou.

 

Cenários negros

 

O primeiro dos dois cenários traçados pelo documento produzido pelo grupo de trabalho estipula ainda o fim das ligações fluviais entre Belém (Lisboa) e a Trafaria/Porto Brandão (Almada) e, no caso das ligações entre Lisboa e Cacilhas (Almada) e entre Lisboa e o Barreiro, aponta para uma antecipação da hora de encerramento do serviço diário e para a redução da frequência das carreiras ao fim de semana.

A acrescer a isto sugere que a ligação ao Montijo seja mantida apenas nos dias úteis e em períodos de ponta. A Margem Sul do Tejo ficaria, de acordo com a mesma proposta, também sem o serviço da carreira 753 da Carris, que atravessa a ponte, a partir do primeiro trimestre de 2012.

Também a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul (CUTMS) considerou a proposta do Governo como «um decretar de recolher obrigatório» para quem não tem transporte próprio. Em declarações à Lusa, Luísa Ramos, do CUTMS, disse mesmo que o plano do Executivo PSD/CDS «representa um retrocesso de muitos e muitos anos na possibilidade de uma mobilidade das populações de forma sustentada, organizada e com opções de escolha». Nesse sentido, prometeu, a CUTMS não vai «baixar os braços» e vai agendar protestos para breve.

Posição semelhante teve Maria Emília de Sousa, presidente da Câmara de Almada, após uma reunião com os presidentes de todas as juntas de freguesia do concelho, afirmando que «a concretização desta medida seria gravíssima» para toda a população. «Em nome da troika, não aceitamos que se faça tudo. É preciso respeito pelas populações, pelo seu dia a dia, por quem trabalha e quer ter futuro neste concelho da Área Metropolitana de Lisboa», frisou.



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