PCP propõe alterações ao OE para 2012

Travar a desfiguração da Escola Pública

O Or­ça­mento do Es­tado para 2012 re­pre­senta um dos mais graves ata­ques de sempre à Edu­cação, Ci­ência e En­sino Su­pe­rior.

Go­verno quer re­cu­perar es­cola do pas­sado

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É o re­cu­perar da «es­cola de ou­tros tempos, cin­gida a “ler, es­crever e contar”», de­nuncia o PCP, que anun­ciou pro­postas de al­te­ração que visam mi­norar os efeitos de­vas­ta­dores de me­didas do Go­verno que apontam para a «sub­versão e des­fi­gu­ração total da Es­cola Pú­blica».

Foram essas me­didas a apre­sentar no de­curso do de­bate do OE que hoje se inicia em ple­nário e que se pro­longa por amanhã, dia em que será vo­tado na ge­ne­ra­li­dade, que os de­pu­tados co­mu­nistas Mi­guel Tiago e Rita Rato deram a co­nhecer esta se­gunda-feira em con­fe­rência de im­prensa no Par­la­mento.

O que con­si­deram ser essa marca es­sen­cial do OE – «o des­man­te­la­mento das ca­rac­te­rís­ticas es­sen­ciais da Es­cola Pú­blica» – está pre­sente desde logo nos drás­ticos cortes fi­nan­ceiros. A co­meçar pela junção dos dois mi­nis­té­rios (an­tigo Mi­nis­tério da Edu­cação e Mi­nis­tério do En­sino Su­pe­rior, Ci­ência e Tec­no­logia), que deu lugar ao ac­tual Mi­nis­tério da Edu­cação e Ci­ência, o qual está a fun­ci­onar com um or­ça­mento equi­va­lente ao do Mi­nis­tério da Edu­cação no ano pas­sado. «É como se o Mi­nis­tério de Ci­ência e Tec­no­logia ti­vesse pura e sim­ples­mente de­sa­pa­re­cido em termos or­ça­men­tais», fez notar Mi­guel Tiago.

Ainda em re­sul­tado dos cortes, que atingem todas as áreas do Mi­nis­tério da Edu­cação, as es­colas bá­sicas e se­cun­dá­rias da rede pú­blica, por exemplo, vão fun­ci­onar com cerca de menos 20 por cento nos seus or­ça­mentos pri­va­tivos, num con­texto em que viram au­mentar todos os custos, no­me­a­da­mente os custos com as com­pras, gás, elec­tri­ci­dade e água.

No en­sino su­pe­rior, por outro lado, os de­pu­tados co­mu­nistas iden­ti­fi­caram um corte que as­cende a 21 por cento dos custos de fi­nan­ci­a­mento e um corte também dessa ordem de gran­deza no que toca à acção so­cial es­colar.

«Numa al­tura em que as con­di­ções de vida dos por­tu­gueses se agravam, em que exis­tirão hoje mais es­tu­dantes em di­fi­cul­dade do que no pas­sado, em vez de haver um re­forço da verba da acção so­cial es­colar, pelo con­trário, as­siste-se a um corte de mi­lhões de euros quer na acção so­cial es­colar di­recta (bolsas) quer in­di­recta (can­tinas, re­si­dên­cias e ou­tras es­tru­turas de apoio)», su­bli­nharam os par­la­men­tares do PCP.

Para a de­pu­tada co­mu­nista Rita Rato, os cortes agora pre­vistos são já «cortes sobre cortes» que vêm numa linha de «sub­fi­nan­ci­a­mento das ins­ti­tui­ções» pra­ti­cada desde 2003. É viver com o credo na boca, com es­colas no li­mite da rup­tura, como na «Fa­cul­dade de Di­reito de Lisboa onde já não há di­nheiro para papel hi­gié­nico», exem­pli­ficou.

A me­recer a crí­tica do PCP está, ainda, o que in­ter­preta como o «re­forço do papel da pro­pina no fi­nan­ci­a­mento do Su­pe­rior», sendo dito que o con­junto da pro­pina na uni­ver­si­dade e no po­li­téc­nico re­pre­senta já 300 mi­lhões de euros do fi­nan­ci­a­mento total afecto pelo Mi­nis­tério (ronda os 900 mi­lhões) a este grau de en­sino, ou seja o equi­va­lente a cerca de 30 por cento.

A somar a tudo isto, e em con­sequência destas in­to­le­rá­veis op­ções, ha­verá ainda quer nas es­colas se­cun­dá­rias e bá­sicas quer no Su­pe­rior uma «maior pre­ca­ri­zação nas re­la­ções la­bo­rais e mais de­sem­prego», an­te­vêem os de­pu­tados do PCP, que re­a­fir­maram a sua de­ter­mi­nação em pros­se­guir a luta contra esta po­lí­tica de des­man­te­la­mento em todos os graus de en­sino que visa «aban­donar com­ple­ta­mente a pers­pec­tiva da Edu­cação de Abril no sen­tido da for­mação in­te­gral do in­di­víduo nas di­versas áreas: des­porto, saúde, li­te­ra­tura, artes e também na ci­ência e tec­no­logia».

A ela­bo­ração de pro­postas al­ter­na­tivas para todos os pro­blemas por si iden­ti­fi­cados é uma peça dessa luta que não es­mo­rece nem se es­gota no de­bate do Or­ça­mento do Es­tado.

 

Pro­postas do PCP
Um outro olhar

 

A su­pressão de pro­pinas e o re­forço do fi­nan­ci­a­mento ao Su­pe­rior nesse exacto valor agora pago pelos alunos, a re­a­li­zação de con­cursos para pro­fes­sores con­tra­tados (de forma a su­prir as ne­ces­si­dades per­ma­nentes das es­colas), bem como de fun­ci­o­ná­rios, psi­có­logos e ou­tros téc­nicos de ci­ên­cias de edu­cação, no Bá­sico e Su­pe­rior, eis al­gumas das pro­postas a for­ma­lizar pelo Grupo Par­la­mentar do PCP em sede de Or­ça­mento do Es­tado para o pró­ximo ano.

A ex­tinção da Em­presa Parque Es­colar EPE e, por outro lado, o fim da uti­li­zação dos fundos co­mu­ni­tá­rios do Pro­grama Ope­ra­ci­onal do Po­ten­cial Hu­mano (POPH) para pa­ga­mento de re­mu­ne­ra­ções e para des­pesas fixas do Sis­tema Edu­ca­tivo (pro­grama «Novas Opor­tu­ni­dades», por exemplo), cons­ti­tuem duas ou­tras pro­postas no ca­pí­tulo do en­sino Bá­sico e Se­cun­dário.

Os de­pu­tados co­mu­nistas querem ainda ver eli­mi­nada a norma re­vo­ga­tória sobre a gra­ti­fi­cação a do­centes do en­sino es­pe­cial – «há cinco mil do­centes nestas con­di­ções que prestam um ser­viço ab­so­lu­ta­mente im­pres­cin­dível e que é tanto mais im­por­tante quanto mais de­gra­dada é a con­dição so­cial das fa­mí­lias com cri­anças que ca­recem de ne­ces­si­dades edu­ca­tivas es­pe­ciais», foi su­bli­nhado –, do mesmo modo que pre­tendem ver re­for­çada a verba de Acção So­cial Es­colar (ASE) para as­se­gurar a re­po­sição dos ní­veis do ano an­te­rior, acres­cida da «verba ne­ces­sária para as­se­gurar a gra­tui­ti­dade dos ma­nuais es­co­lares du­rante a es­co­la­ri­dade obri­ga­tória».

No que toca ao En­sino Su­pe­rior, Ci­ência e Tec­no­logia, por seu lado, além da eli­mi­nação das pro­pinas, é pre­co­ni­zada a re­po­sição das verbas de ASE do ano an­te­rior, a par da cri­ação de uma «fór­mula ob­jec­tiva e não dis­tri­bu­tiva do fi­nan­ci­a­mento do En­sino Su­pe­rior Pú­blico, através de pro­cesso ne­go­cial».

A re­no­vação au­to­má­tica, por um ano, dos con­tratos Ci­ência 2007 (que vencem este ano) e a pre­pa­ração de con­curso para in­gresso na car­reira de in­ves­ti­gação para esses in­ves­ti­ga­dores e con­tra­tados pelo pro­grama Ci­ência 2008 a re­a­lizar em 2013, cons­ti­tuem ou­tras me­didas de­fen­didas pelo PCP, que quer ver trans­fe­ridas para as uni­dades de I&D e La­bo­ra­tó­rios do Es­tado, através da FCT, os va­lores dos custos es­tru­tu­rais de pro­jectos de in­ves­ti­gação (overheads) e a re­gu­la­ri­zação da res­tante dí­vida.

Pro­posta pelo Grupo Par­la­mentar co­mu­nista é, também, a re­clas­si­fi­cação ime­diata dos téc­nicos su­pe­ri­ores com dou­to­ra­mento e pas­sagem dos au­xi­li­ares de in­ves­ti­gação para In­ves­ti­ga­dores Au­xi­li­ares, tal como o re­forço em 30 mi­lhões de euros da verba a trans­ferir para os La­bo­ra­tó­rios de Es­tado.

Feitas as contas, estas pro­postas têm um custo es­ti­mado de cerca de 480 mi­lhões de euros. Res­pon­dendo por an­te­ci­pação aos que dizem que não há di­nheiro, Mi­guel Tiago con­si­derou que é muito mais com­pre­en­sível que o Es­tado gaste este valor «na re­cu­pe­ração do seu sis­tema ci­en­tí­fico, téc­nico e todo o seu sis­tema de en­sino, do que gastar, por exemplo, os quatro mil mi­lhões no bu­raco dos cri­mi­nosos do BPN».



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