Admissão da Palestina na UNESCO
Os deputados da maioria PSD-CDS/PP rejeitaram, sexta-feira passada, votos sobre a Palestina: um de congratulação pela sua admissão na UNESCO proposto pelo Partido Ecologista «Os Verdes»; o outro, da iniciativa do BE, de condenação pela abstenção de Portugal naquele sufrágio.
O PS votou favoravelmente o texto do PEV e absteve-se no subscrito pelos deputados bloquistas.
A bancada comunista, que apoiou os dois votos, pela voz de Bernardino Soares, depois de se congratular com a admissão da Palestina como membro de pleno direito, teceu uma dura crítica à reacção dos EUA de cortar os fundos à UNESCO, classificando-a como «muito negativa» e «inaceitável».
Referência crítica mereceu também o secretário-geral das Nações Unidas, que não só se revelou incapaz de verberar «esta actuação inaceitável de um Estado-membro que corta o financiamento só porque não está de acordo com uma decisão», como ainda por cima procurou «responsabilizar a vontade maioritariamente expressa pela assembleia-geral da UNESCO no sentido de fazer com que os países que aprovaram a admissão sejam agora os responsáveis pelo corte do financiamento».
Sobre a posição de Portugal, por si definida como «vergonhosa» e «inaceitável», o líder parlamentar comunista lembrou que o Governo já não tem a justificação de que está a aguardar por uma posição comum. É que houve vários países da União Europeia que votaram a favor, recordou, sublinhando por isso que o Governo o que fez não foi esperar por nenhuma posição comum mas sim alinhar com a posição seguida pelos EUA e por Israel de contestar aquele estatuto para a Palestina.