Estão a roubar o povo e o País
Um roubo descarado ao País e a quem trabalha para dar aos grandes grupos económicos e ao capital financeiro, eis, em síntese, como voltaram ser definidas pelo PCP as medidas que o Governo tem vindo a aplicar em nome do cumprimento do pacto de submissão assinado pelo PS, PSD e CDS/PP com o exterior.
A acusação é do deputado comunista Jorge Machado e foi formulada em recente interpelação do BE ao Governo centrada nas questões do desemprego, da precariedade e das alterações às leis do trabalho.
Alvo de cerradas críticas de todos os quadrantes da oposição, chegando a ser apelidado de «ministro do desemprego», sobre o titular da pasta da Economia recaiu em particular o anátema de ficar como coveiro de direitos laborais.
Álvaro Pereira, defendendo-se como pôde, afirmou a dado passo que o PCP advoga como solução que se atire dinheiro para os problemas do País. A resposta não tardou, com Jorge Machado a pôr em evidência como essa é uma falsidade e que, verdadeiramente, quem o faz são o PS, o PSD e o CDS/PP. Exemplo disso é o BPN, buraco para onde aqueles partidos já atiraram 2300 milhões de euros, não falando das garantias bancárias que o actual Governo se propõe dar à banca (10 500 milhões de euros), nem dos mais de 12 000 milhões da mal designada «ajuda» externa.
«Quem é que afinal atira dinheiro para os problemas?», inquiriu, a propósito, o deputado comunista, para logo a seguir lembrar ao governante as diferenças profundas e insanáveis que separam a sua bancada do actual Executivo. «É que enquanto o PCP defende mais salários, mais direitos, menos horário de trabalho (graças à evolução tecnológica), mais progresso, mais emprego, mais crescimento, o Governo opta por atacar direitos, salários, aumentar o horário de trabalho e com isso trazer mais retrocesso, a recessão económica, mais injustiças», explicou.
E quanto ao problema da competitividade, sempre na boca dos governantes, fez notar ao ministro que o mesmo não reside nos direitos dos trabalhadores. Tal como foi sublinhado que as sucessivas alterações à legislação laboral em nada aumentam a competitividade mas apenas levam a «mais precariedade, mais desemprego, mais exploração e mais injustiças».
E por isso Jorge Machado não hesitou em concluir que o Governo toma deliberadamente medidas no sentido de atacar e roubar quem trabalha para dar aos grandes grupos económicos. «É para esses que governa», atalhou, convicto de que estamos perante «um autêntico saque, um roubo organizado ao País e ao povo».