Recusada melhoria do passe social intermodal

Governo não pensa nas pessoas

«Um programa de encerramentos e privatizações», assim classifica o PCP o impropriamente designado «Plano Estratégico de Transportes», talhado para fazer pagar a factura das dívidas e dos défices aos utentes e aos trabalhadores das empresas do sector.

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A avaliação é do deputado comunista Bruno Dias e foi expressa em recente debate sobre um projecto de lei da sua bancada em defesa do passe social intermodal, que viria a esbarrar nos votos contra da maioria PSD-CDS/PP e na abstenção do PS.

Visado com esta diploma era a revisão do passe intermodal no sentido de o adaptar à realidade quotidiana das pessoas, nomeadamente à evolução ocorridas nos seus movimento pendulares em que são cada vez maiores as deslocações entre a casa e o local de trabalho ou estudo.  

Tratava-se, ainda, como explicou Bruno Dias, de eliminar actuais restrições e discriminações (inexistentes aquando da criação do passes social intermodal) que não fazem qualquer sentido, além de serem fortemente penalizadoras dos utentes. Foi dado o exemplo do Metro Sul Tejo, onde é preciso pagar mais nove euros sobre o valor do passe, ou o comboio da Fertagus, onde o passe não tem qualquer validade.

 

Interesses intocáveis

 

Alargar o âmbito geográfico do passe e estendê-lo a todos os operadores de transportes afigurar-se-ia, por conseguinte, uma medida de elementar racionalidade, pondo simultaneamente termo à actual profusão de títulos, passes e tarifas no sistema tarifário.

Assim o não entenderam os partidos da maioria governamental, enveredando pelo falacioso argumento das dificuldades que atravessam as empresas, para no fim de contas manter intocáveis os interesses instalados, nomeadamente os negócios que envolvem parcerias público-privadas (comboio da ponte 25 de Abril ou do Metro Sul do Tejo, por exemplo) e tudo o que mexe com as rodoviárias privadas.

Ao contrário do que diz o Governo, para quem os tarifários são baixos, Bruno Dias entende que as pessoas já pagam em demasia pelo passe – «é pagamento a mais e transporte a menos», sublinhou –, sendo igualmente da opinião que se o investimento no transporte público custa dinheiro não é menos verdade que isso representa um enorme ganho para o País e para as populações, em termos energéticos, económicos e ambientais.

«Haja por isso vontade política para promover o desenvolvimento integrado e a justiça social, para qualificar o serviço público e o seu funcionamento, mas também haja coragem política para enfrentar os interesses privados dos grupos económicos», foram os votos do deputado do PCP, convicto de que «o resgate verdadeiro é o que libertará o interesse público deste sequestro em que estão a colocar o povo e o País».

 

Atentado à dignidade


Alvo de acesa crítica do deputado Bruno Dias foi o chamado «Passe Social +», que considerou ser um «insultuoso regresso ao “atestado de pobreza” de bafienta memória».

Para a bancada comunista não são entendíveis as razões que levam o Governo a dele excluir quem tenha um rendimento líquido per capita superior a essa exorbitante quantia que são 485 euros. Pior ainda, para o PCP, o Executivo de Passos Coelho e Paulo Portas «trata de uma forma indigna quem não tem rendimentos nenhuns».

Desse tratamento aviltante deu Bruno Dias testemunho, citando o calvário percorrido por quem o sofre porque dele precisa, segundo relatos chegados ao seu conhecimento: «Manda-se um desempregado à procura de uma declaração que prove a ausência de rendimentos. Chegado à Segurança Social, encontra a recusa dos serviços em emitir a declaração, com aviso na porta e tudo. Depois dizem-lhe que sem declaração não há passe».

Uma vergonha.



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