Populações cada vez mais carenciadas
Em nota de imprensa, as Comissões de Utentes de Saúde do Litoral Alentejano criticaram o «constante desinvestimento» do Governo na área da Saúde e alertaram para as dificuldades das populações mais carenciadas e isoladas no acesso aos serviços de Saúde de proximidade.
Actualmente, todos os concelhos do Litoral Alentejano sentem na pele a dureza destes cortes, tendo já sido encerrados postos médicos e extensões de Saúde como o de Canal Caveira, Deixa-o-Resto, Barrancão, Montevil e São Francisco da Serra. Trata-se de localidades que se encontram isoladas e que ficaram completamente desprovidas dos cuidados de Saúde de proximidade a que têm direito, e que são compostas por uma população envelhecida e com fracos recursos financeiros. «Os utentes têm vindo a ser alvo de cortes cegos que comprometem a qualidade dos cuidados de Saúde a que têm direito. Perdeu-se nas comparticipações de medicamentos, nas comparticipações de transportes, o aumento das taxas moderadoras e, em geral, no acesso ao Serviço Nacional de Saúde», referem as comissões, apontando «a falta de qualidade de atendimento das Urgências do Hospital do Litoral Alentejano e a não dotação, com enfermeiros suficientes, do Serviço de Urgência Básico do Centro de Saúde de Odemira».
Neste sentido reclamam do Ministério da Saúde a reposição do funcionamento das extensões de Saúde, já encerradas, a construção do novo Centro de Saúde de Sines, a construção da maternidade do Hospital do Litoral Alentejano, a abertura do Serviço de Internamento de Pediatria do HLA e o aumento, para 24 horas, do horário de funcionamento do SAP de Grândola.
«Estamos preocupados»
Também em Ferreira do Alentejo o encerramento do Serviço de Atendimento Complementar veio dificultar a vida das populações, a quem foi prometido mais consultas de recurso. «Estamos preocupados, pois, não só nos tiraram serviços essenciais a uma população mais envelhecida e cada vez mais carenciada económica e socialmente, como nos "ofereceram" um serviço que não funciona, pois não tem médicos», denuncia a Comissão de Utentes local, que reivindica a reposição do Serviço de Atendimento Complementar sete dias por semana, das 8 às 20 horas.
Concentração em Grândola
Amanhã, sexta-feira, às 18.30 horas, terá lugar uma concentração de utentes, frente ao Centro de Saúde de Grândola, para exigir a reabertura, 24 horas por dia, do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) local, e do Posto Médico de Canal Caveira. Para esta iniciativa, promovida pela Comissão de Utentes de Saúde de Grândola, foram convidados os deputados na Assembleia da República, para lhes mostrar que «a situação está cada dia mais difícil» para aqueles que «recorrem ao Serviço Nacional de Saúde».