Agendamento sem prévia discussão pública

Violar direitos fundamentais

O PCP contestou a decisão da presidente Assumpção Esteves de manter para hoje o debate sobre as alterações às leis laborais mas viu chumbado na passada semana o seu requerimento (outro do BE teve igual desfecho) que recorria da admissibilidade do agendamento.

Os requerimentos foram recusados com os votos contra do PSD, CDS-PP e do PS, a abstenção de um deputado do PS e os votos favoráveis de outros cinco desta bancada que assim votaram ao lado do PCP, do BE e dos «Os Verdes».

O que está em causa, para o PCP, com este agendamento a mata cavalos sem a prévia discussão pública (ver página 32), é a clara violação da lei e de direitos fundamentais.

Bernardino Soares invocou, além da norma constitucional sobre a matéria (ainda que seja objecto de várias interpretações), o facto de existir uma lei e uma conformação do regimento com um determinado processo de consulta pública e com a incorporação das contribuições dos pareceres das organizações dos trabalhadores no processo legislativo.

Trata-se, como sublinhou o líder parlamentar comunista, do «direito constitucionalmente protegido de participação das organizações representativas dos trabalhadores na elaboração de legislação laboral», de acordo com o artigo 470.º do Código do Trabalho elaborado ainda por Bagão Félix.

Ora essa lei não é inconstitucional nem «ninguém põe em causa a sua constitucionalidade», lembrou, concluindo por isso que «não há nenhuma razão do ponto de vista legal e constitucional» para não cumprir o que nela está estabelecido.

Bernardino Soares recusou também haver um problema de urgência (como invocou por exemplo o deputado do PS Pedro Lopes), frisando que a própria lei prevê procedimentos claros em tal circunstância, como a diminuição do prazo de consulta de 30 para 20 dias. E também não há um problema do ponto de vista político, explicou, porque nada no memorando com a troika impõe que essa matéria seja discutida antes do final de Julho, como aliás o Governo confirmou na conferência de líderes.



Mais artigos de: Assembleia da República

O agravar brutal da exploração

O Parlamento discute hoje a proposta de lei que altera o Código do Trabalho com vista a reduzir as indemnizações por despedimento. É a fúria antilaboral do Governo no seu máximo, com a certeza porém de que vai ter pela frente a resistência e a luta dos trabalhadores.

Renegociar antes de males maiores

Os partidos da troika interna inviabilizaram quarta-feira da semana passada o diploma do PCP para a renegociação da dívida pública. Ainda nem 24 horas haviam passado e novos desenvolvimentos no quadro da União Europeia vieram confirmar que o caminho nele apontado é inevitável.

Embaratecer os despedimentos

Uma medida «inaceitável» que só vai «agravar a exploração de quem trabalha e a injustiça», assim reagiu o PCP ao anúncio pelo Governo da redução das indemnizações por despedimento. As alterações ao...

Crimes contra o País

O PCP acusou o Governo PSD/CDS de seguir as pisadas do antecessor e assumir opções que se traduzem em actos de «má gestão e delapidação de dinheiros públicos», ferindo gravemente os interesses do País e dos portugueses.

<i>Espremer</i> os mesmos

Foi aprovada na última sexta-feira, na generalidade, com os votos favoráveis do PSD e CDS, a proposta de lei que cria a sobretaxa em sede de IRS. O Governo chama-lhe «contribuição especial» mas do que se trata é de um verdadeiro saque aos trabalhadores.

O desprezo pela vontade popular

O Parlamento apreciou no final da passada semana uma petição na qual os subscritores contestam o projecto do traçado do IC 36. Um caso, mais um, que para o PCP mostra bem a «ausência de uma estratégia de desenvolvimento». «Este é um filme já visto,...

Suspensão é um erro

A suspensão das emissões da RDP Internacional na onda curta, decidida pelo Governo anterior, motivou um pedido do PCP para que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, compareça na comissão parlamentar de Ética com vista a prestar esclarecimentos sobre o assunto....