Cultura em debate na Guarda
Sem luz não há cor foi o lema do encontro realizado no dia 18 na Guarda sobre as questões da cultura. Participaram os deputados Ilda Figueiredo e João Oliveira e Filipe Diniz, membro da Comissão Nacional do PCP para as questões da cultura, para além da artista plástica Maria Lino e do director do Teatro Municipal da Guarda Américo Rodrigues. O debate foi moderado pelo músico Carlos Canhoto.
Filipe Diniz referiu aspectos fundamentais da concepção de cultura que o PCP defende, diametralmente oposta àquela que o novo Secretário de Estado da Cultura já designou como a libertação da cultura do peso do Estado. Américo Rodrigues referiu a necessidade de uma efectiva democratização cultural e o papel do Estado e das autarquias nesse processo.
João Oliveira defendeu o papel insubstituível do Estado no apoio à criação e produção culturais e alertou para o caminho de mercantilização da cultura que o grande capital e os governos a seu serviço têm vindo a seguir, enquanto que Ilda Figueiredo sublinhou a ligação da criação cultural à produção de bens materiais – ilustrando esta ligação com o exemplo da perda de exclusividade de produção de vinho do Porto na Região Demarcada do Douro, a qual, para além de significar o abandono progressivo da agricultura na região, representa o fim de toda uma cultura cujas raízes têm já mais de 300 anos.
Houve ainda lugar para uma exposição de produtos regionais e um atelier de criação plástica ao vivo. O encontro terminou com um concerto que contou com o cantor César Prata e as suas Canções de Cordel e com o Síntese – Grupo de Música Contemporânea.