Protestos reprimidos na Geórgia

Milhares de georgianos voltaram a manifestar-se, dia 28, na capital, Tiblissi, contra a violência e pela demissão do presidente do país. Dois dias antes, a polícia havia reprimido com extrema violência os que protestavam contra Mikhail Saakachvili e exigiam eleições antecipadas. Pelo menos quatro pessoas morreram e 30 ficaram feridas. Mais de uma centena acabou detida.

O argumento foi a realização, dia 27, de uma parada militar dedicada à celebração da independência da Geórgia, mas a oposição rejeita a justificação e acusa o governo de brutalidade.

O uso de canhões de água, cargas das forças antimotim, granadas de gás lacrimogéneo e balas de borracha, bem como o encarceramento de centenas de participantes nos protestos dos últimos dias na Geórgia não mereceram qualquer posição crítica por parte da chamada comunidade internacional.

Nem o facto de entre os promotores das iniciativas estarem antigos aliados de Saakachvili, como Nino Burjanadze - homem que já esteve no círculo de confiança do imperialismo e cuja coragem e amor ao povo georgiano se revelou quando, ao fugir da repressão, terá atropelado um manifestante e um polícia -, motivou reacções de repúdio para com o regime e de simpatia para com a já chamada revolução de prata.

As únicas declaração conhecidas são, pelo contrário, hostis aos que, nas ruas, e aproveitando a dinâmica da chamada oposição, se levantam contra a corrupção e o despotismo, a degradação dos serviços públicos, o desemprego, a precariedade e a desvalorização dos salários e das pensões.

John Bass, embaixador dos EUA, disse estar preocupado porque «entre os manifestantes há elementos mais interessados na confrontação física que no protesto pacífico», enquanto que o diplomata francês, Eric Fournier, sublinhou que «todos têm o direito a manifestar-se, mas o protesto tinha de terminar antes de amanhecer porque não há direito de impedir um desfile militar».



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