Produção, emprego e autonomia
A CDU apresentou, no dia 28 de Abril, o seu Manifesto Eleitoral na Região Autónoma dos Açores. A sessão decorreu no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada e contou com a presença de José Decq Mota, primeiro candidato da coligação pela região, e de Jerónimo de Sousa.
O Secretário-geral do PCP destacou o carácter «diferente e único» do Manifesto apresentado, realçando a sua profunda ligação com os problemas sentidos pelos trabalhadores e o povo da região e a sua identificação com as suas perspectivas de desenvolvimento. As propostas aí apresentadas, precisou, integram-se e articulam-se com o «quadro mais geral da proposta de ruptura e mudança que a CDU apresenta no plano nacional».
Para Jerónimo de Sousa, se o Manifesto é diferente é único é também porque tem «atrás de si a garantia de cumprimento do que assumimos perante os portugueses nas últimas eleições e que traduzimos em intervenção e projecto quer na Assembleia Legislativa Regional quer na Assembleia da República». E também porque «traz consigo a garantia de que estaremos com as lutas dos trabalhadores e das populações, transformando os seus anseios e reivindicações em proposta e intervenção».
Em suma, destacou o dirigente comunista, trata-se de um Manifesto que não defende a continuação da mesma política. Pelo contrário, compromete-se com uma «política patriótica e de esquerda, para um novo rumo e uma vida melhor para os portugueses».
No Manifesto, a CDU reclama respostas para os «problemas imediatos da região» e aponta rumos de desenvolvimento. Entre as propostas adiantadas, destaca-se a aposta «de forma decidida na nossa capacidade produtiva, apoiando quem produz em vez de usar os fundos europeus para abater embarcações de pesca ou incentivar o abandono de actividade de agricultores», e a intervenção estatal para garantir um «preço justo para os nossos produtos agrícolas e da pesca, limitando as enormes margens de lucro dos grandes intermediários». A CDU defende ainda a manutenção nas mãos do Estado de importantes empresas como a ANA, a NAV, a SATA ou a TAP.
A dinamização do mercado interno, através do aumento do poder de compra das famílias açorianas, e a criação de emprego «real, de qualidade, justamente remunerado e com direitos» são outras das propostas, a par da protecção do mar da «rapina das frotas estrangeiras». A defesa da autonomia e dos meios financeiros da região é outro dos eixos estratégicos que a CDU propõe para aquela região autónoma.