«Incontornável»
Um tal Joaquim Goes, coordenador de mais um «movimento» inventado pelo PSD para fingir que tem «ideias para o País» (no caso, chamado «Mais Sociedade»...), decretou, do alto da sua munificência, que «falar em idades de reforma de 67 ou 70 anos é incontornável».
Deve ter acompanhado o dito com adequada contrição, para também dar ares de «preocupado social».
Como se vê, esta busca de «Mais Sociedade» do PSD limita-se, afinal, à ancestral pulsão capitalista de querer sempre e sempre... «Mais Exploração».
Estas avantesmas que, dentro e fora do País, se desunham a bolsar teorias que tornem aceitáveis os actuais ataques generalizados do capitalismo aos direitos dos trabalhadores, o que não explicam é como compatibilizam este «incontornável» aumento da idade da reforma para os 67 e 70 anos com o já efectivo, generalizado e sempre crescente desemprego em massa dos mais jovens.
Nem precisam de o fazer: Marx, e depois Lenine, deixaram tudo explicado, tim-tim por tim-tim.
Pelo andar deste descalabro social em curso no chamado «mundo capitalista desenvolvido», mais cedo que tarde tal mundo terá que voltar a estes mestres para, de novo, se libertar.
Isso, sim, é «incontornável».
Encerramentos
Foi também notícia de 1.ª página; actualmente, há 64 empresas a encerrar diariamente em Portugal, com os respectivos despedimentos colectivos e em massa, enquanto as insolvências aumentaram para a média de uma dúzia por dia.
Percebe-se por quê (embora seja cada vez mais urgente explicá-lo melhor aos trabalhadores): é que por trás da farsa da «crise» – que mais não é que o resultado da perpetuação no poder da política, e dos seus responsáveis, que desembocou no descalabro da especulação desenfreada mundial –, está o desmantelamento metódico e venal dos elementos estratégicos do aparelho produtivo nacional (agricultura, pescas e indústria pesada), levado a cabo nas últimas décadas pelos «governos absolutos» de Cavaco Silva e pelos que se lhe seguiram, tudo pago pela mesma União Europeia que, agora, quer estrangular o País com chantagens monetaristas chocantemente inadmissíveis.
Uma coisa começa a estar clara para os portugueses: para acabar com tantos encerramentos, urge «encerrar» esta política e quem a tem posto em prática.
«Passagens»
Foi ainda (e por fim) notícia de primeira página no Jornal de Notícias o seguinte: «330 mil carros passaram sem pagar nas SCUT / Estado ainda só conseguiu cobrar cerca de 25 por cento das multas passadas aos utentes das novas vias portajadas».
Manifestamente, avoluma-se aqui um problema bicudo para os poderes públicos que querem cobrar portagens nas SCUT: é que 330 mil faltosos em meia dúzia de meses «entope» qualquer sistema de cobranças faltosas, como está evidente na recuperação coerciva de apenas um quarto das multas passadas.
Também, manifestamente, há aqui uma motivação dupla: a revolta pelo pagamento de algo que foi sempre grátis e a efectiva e crescente dificuldade de sobrevivência que a «crise» está a espalhar pelo País.
O melhor é o Governo que vier começar também a «passar ao lado» destas portagens...