Não ao FMI!
A CDU realiza na próxima terça-feira, 19 de Abril, a sua primeira jornada nacional de propaganda no quadro das eleições legislativas de 5 de Junho.
Participam na jornada centenas de candidatos e activistas da CDU
A jornada insere-se na campanha eleitoral da CDU, que privilegiará o contacto directo com os trabalhadores e o povo, as iniciativas e acções de rua e incidirá sobre os reais problemas do País. Em foco nesta primeira jornada está a intenção do Governo do PS – com o apoio do PSD, CDS e do Presidente da República – de abrir caminho a uma intervenção externa no nosso País por parte da União Europeia e do FMI.
A jornada, que se realiza no dia seguinte ao início das negociações entre o FMI/BCE/CE e as instituições portuguesas, contará com dezenas de iniciativas por todo o País, envolvendo centenas de activistas – em particular candidatos da CDU – numa acção de contacto e esclarecimento dos trabalhadores e das populações, apelando à sua indignação e protesto contra os responsáveis pelo rumo de desastre nacional que atinge o País.
Com esta jornada, a CDU pretende denunciar que, no seguimento de mais de 35 anos de política de direita, dos PEC e dos Orçamentos do Estado, esta ilegítima intervenção externa visa continuar a apoiar a banca e os grupos económicos nacionais e estrangeiros, ao mesmo tempo que impõe sacrifícios ao povo português e condiciona o futuro do País. Será também objectivo desta jornada reafirmar que havia e há alternativa a esta opção: com a renegociação da dívida pública, o apoio à produção nacional, a diversificação das fontes de financiamento; com uma outra política e um outro governo, patriótico e de esquerda, que responda aos reais problemas do País; com a luta e com o voto na CDU.
Quatro notícias graves
Anteontem, o PCP pronunciou-se sobre quatro questões tornadas públicas nesse dia, todas elas com graves consequências nas condições de vida dos trabalhadores e do povo: a proposta de um aumento superior a 3,2 por cento no gás natural; um novo aumento dos combustíveis, que atingiram o preço mais alto de sempre; a divulgação pelo INE do valor da inflação homóloga em Março, de 4 por cento; e as intenções anunciadas pelo FMI de diminuir os salários, aumentar os impostos e reduzir custos com os despedimentos.
No que respeita ao gás natural, o aumento previsto penalizará um milhão de consumidores domésticos e muitas empresas, em particular de sectores como os da cerâmica, vidro e têxteis. Do Governo, o PCP exige que trave este aumento, lembrando que está ao seu alcance fazê-lo.
Quanto aos combustíveis, o PCP recorda que eles atingiram nessa noite o seu preço mais elevado de sempre (1,619 euros na Gasolina 95, e 1,449 no gasóleo). Para os comunistas, trata-se de uma «inaceitável penalização da nossa economia e da população portuguesa, para engordar os lucros» das empresas do sector. Relativamente aos lucros, lembra-se que os da GALP foram, em 2010, de 611 milhões de euros e os da EDP de 1662 milhões de euros. No caso da GALP, os lucros quintuplicaram desde a liberalização do mercado dos combustíveis.
Exigindo o estabelecimento de um regime de preços máximos no sector da energia (ligados, em relação aos consumidores domésticos, ao valor da inflação, e em relação às empresas, às questões de produtividade), o PCP lembra que tais propostas não têm «qualquer influência nas questões do défice e da dívida pública». São, aliás, «indispensáveis para combater a recessão económica e o aumento de desemprego».
Quando é o próprio Instituto Nacional de Estatística a anunciar que a inflação homóloga em Março se cifrou em 4 por cento, confirmando assim que o custo de vida continua a aumentar, o PCP considera que são «ainda mais graves e inaceitáveis» as intenções anunciadas pelo FMI de impor ao País a diminuição de salários, o aumento de impostos e a redução de custos com os despedimentos.